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Covid-19: Polícia moçambicana admite “erros” na imposição de restrições

O comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Bernardino Rafael, admitiu hoje que os agentes da corporação têm cometido “erros” na imposição das medidas previstas no estado de calamidade pública em vigor no país face à covid-19.

“Há erros, sim, nós reconhecemos isso. Errar é humano e quando se trabalha, cometem-se erros”, afirmou Bernardino Rafael, em declarações aos jornalistas, sem especificar a que tipo de “erros” se refere.

Rafael admitiu “o excesso de zelo” na aplicação das medidas contidas no estado de calamidade pública como causa dos “erros” cometidos pelos membros da PRM.

“Os erros são cometidos por colegas que agem com excesso de zelo, mas temos que particularizar esses casos e não fazer generalizações”, declarou Bernardino Rafael.

Aquele responsável avançou que 719 pessoas foram detidas por desobediência, em todo o país, desde a entrada em vigor de novas restrições para a contenção da covid-19, há duas semanas, no âmbito do estado de calamidade pública em vigor no país desde o ano passado.

Na quarta-feira, a Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM) denunciou detenções arbitrárias na aplicação do recolher obrigatório nocturno na área metropolitana de Maputo, acusando a polícia de criar condições para a propagação de covid-19 nas esquadras.

“Estamos extremamente preocupados com casos de detenções arbitrárias, ao abrigo do recolher obrigatório”, disse à Lusa a presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos da OAM, Ferosa Zacarias.

Ferosa Zacarias avançou que a polícia está a deter pessoas obrigadas a fugir de casa por violência doméstica, doentes a caminho do hospital e trabalhadores obrigados a ficar nas paragens, devido à falta de transporte público.

A cidade de Maputo e os distritos de Matola, Marracuene e Boane vivem sob recolher obrigatório desde o dia 05 e por um período de 30 dias, das 21:00 às 04:00.

As novas restrições foram decretadas face ao aumento do número de óbitos, internamentos e casos de covid-19, que só em janeiro superaram os números de todo o ano de 2020, concentrando-se em Maputo.

Moçambique contabiliza 561 mortes por covid-19 e 52.629 pessoas infectadas, 62% das quais são consideradas recuperadas, enquanto 279 estão ainda internadas, 77% na cidade de Maputo, capital do país.

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