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Igreja Católica forma 50 voluntários para assistência em saúde mental e psicossocial

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Cinquenta voluntários vão prestar assistência em saúde mental e psicossocial a pessoas deslocadas devido à violência armada na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, disse hoje à Lusa o bispo de Pemba.

Fernando Luiz Lisboa afirmou que os 50 voluntários estão a receber formação em assistência psicossocial para prestar ajuda a famílias alojadas em cinco centros de refugiados da cidade de Pemba, capital da província de Cabo Delgado, e do distrito de Pemba Metuge.

“Aquelas pessoas que estão ali não são números, são pessoas e precisam do atendimento, precisam de alguém que as escute a fim de apaziguar um pouco o coração”, declarou.

A ajuda psicossocial vai permitir que os deslocados estejam preparados para enfrentarem os traumas provocados pela violência armada na província de Cabo Delgado.

“Muitas delas estão paralisadas e estão sem esperança”, frisou o bispo de Pemba, referindo-se aos deslocados.

Fernando Luiz Lisboa avançou que a sociedade civil deve envolver-se no apoio humanitário às vítimas da violência armada em Cabo Delgado, como forma de ajudar as instituições estatais a amenizar as necessidades dos deslocados.

“Nós estamos para ajudar, o Governo não tem condição e capacidade de dar resposta”, frisou.

Fernando Luiz Lisboa avançou que a diocese de Pemba lançou a campanha “Juntos por Cabo Delgado”, visando a angariação de fundos para o apoio humanitário às vítimas dos ataques armados em Cabo Delgado, no âmbito do apoio às vítimas do conflito.

Rosa Martins, freira da Igreja Católica, considerou fundamental a formação, porque os deslocados precisam de ajuda para superarem as situações difíceis que estão a enfrentar.

“A questão psicológica dessas pessoas é importante, porque não perderam só bens, também perderam seus filhos e familiares”, afirmou Rosa Martins.

Em entrevista à Lusa em julho, o bispo de Pemba disse que para as vítimas em fuga a insegurança alimentar é uma das mais graves ameaças, mas não é a única.

“Não nos podemos contentar em dar comida. É muito pouco”, alertou Luíz Fernando Lisboa durante a entrevista de hoje à Lusa, salientando que “há muitos traumas”.

A alimentação “é importante, mantém as pessoas de pé, alimenta o corpo, mas há pessoas que estão quebradas, traumatizadas com tudo o que viveram”, disse, destacando que “o apoio psicossocial é essencial”.

“Estar com essas pessoas, reunir, ouvir”, criando grupos onde haja elementos preparados para descobrir os traumas “que vão necessitar de resposta”.

O programa de formação de voluntários para a assistência em saúde mental e psicossocial é uma parceria entre a Igreja Católica, Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Internacional de Migrações (OIM), Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), e Associação de Voluntariado Civil (AVSI).

A província nortenha de Cabo Delgado está sob ataque desde outubro de 2017 por insurgentes, classificados desde o início do ano pelas autoridades moçambicanas e internacionais como ameaça terrorista.

Em dois anos e meio de conflito em Cabo Delgado, onde avança o maior investimento privado de África para exploração de gás natural (liderado pela francesa Total), estima-se que já tenham morrido, pelo menos, 1.000 pessoas.

De acordo com as Nações Unidas, os ataques armados já forçaram à fuga de mais de 250.000 pessoas de distritos afectados pela violência, mais a norte da província. (Redacção )

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