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“O Estado moçambicano é uma ruína”-Yaqub Sibindy

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O Presidente do Partido Independente de Moçambique (PIMO), Yaqub Sibindy, avalia o processo de Desarmamento e Desmobilização e Reintegração (DDR) das forças residuais da RENAMO e chega a conclusão de que o Estado moçambicano é uma ruína dado que o mesmo não regista avanços políticos, económicos e sociais.

Yaqub Sibindy, afirma haver falta de vontade política dos envolvidos no processo de DDR para a pacificação do País.

O Presidente do Partido Independente de Moçambique, afirma ainda que a peça principal peça para a efectivação do processo de DRR, seja Mariano Nhongo.

Acompanhe a entrevista tal como ela foi:

JT: Como é que avalia o processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração dos homens da RENAMO em curso no país?

YS: As negociações de Ossufo Momade, as negociações que levou o Governo e RENAMO assinarem Acordos Gerais de Paz, PIMO lamenta por, o Governo no comando continuar parado. Não houve nenhuma inovação e não evoluímos.

A paz militar deve ser antecedida por uma paz económica. A base disto é a distribuição de terra arável para as famílias moçambicanas sem olhar para cor partidária e nem raça. Se o PIMO estivesse em noventa e dois em Roma, o ponto número um tinha que ser a partilha de riquezas. E não estaríamos onde estamos agora!

Aos políticos, operários e camponeses, ninguém pode exibir hoje que eu estou a herdar a riqueza dos meus antecessores. O Poder não pode servir de vaca leiteira para engordar certos dirigentes.

No processo de Desarmamento e Desmobilização e Reintegração dos homens da RENAMO, tinha que se incluir a questão de parcelamento e dar Duats naquela mesma área para o reordenamento territorial.

Onde de seguida podia se canalizar água, energia e outras infra-estruturas.

Quando os guerrilheiros perceberem esta explicação e perceberem que estamos a largar armas para estar numa sociedade de direitos democráticos, num sistema político e capitalista não haveria dificuldades.

Não podemos nos enganar a dizer que MDM ou PIMO, trouxe a democracia. A RENAMO é que trouxe a democracia. Nós somos mais capitalistas em relação a aqueles homens que trouxeram a democracia no país.

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Veja lá como Dhlakama Morreu e como os homens que ele deixou estão. Nós estamos a comer mais em relação a aqueles que deram suas vidas e juventude…

Por falta da vontade política, hoje são aqueles indivíduos que não tem nome. Vejamos! A RENAMO diz que eu não ti conheço, ele dizem que somos da RENAMO e o Estado diz que são fora da lei e tem que ser combatido.

JT: Há vontade política para se implementar o DDR?

YS: Existe uma vontade oculta de fazer com que todas as vezes tenhamos situações de conflitos nas vésperas ou depois das eleições e tirar vantagens a dizer a quem ganhou porque não foi votado.

A guerra desorganiza o sistema e os órgãos eleitorais. Quando o Presidente Dhlakama estava em vida, quando ordenava que ninguém pode disparar, não havia ninguém disparar e da mesma forma esperavas de Ossufo Momade.

Nós os partidos políticos aproximamos a RENAMO e o Governo para a despartidarização do DDR.

Se despartidarizarem o DDR e passar por um património do pensar público estaríamos num bom caminho porque aquele nome que vem o Governo e RENAMO, prejudica a todos os partidos políticos, moçambicanos, o Sistema de Educação, a liberdade de pensar do cidadão, cria pobres e ricos.

JT: Olhando para o processo em curso, na sua opinião o processo não está a ser transparente?

YS: Não está a ser transparente porque não há vontade política das partes envolvidas. Tem que haver uma reflexão sobre os motivos que levam os moçambicanos a lutarem entre si.

JT: Será que a paz efectiva no país é refém da desmilitarização das forças residuais da RENAMO?

YS: Na altura, o único que lutava contra o poder central foi a RENAMO e não se pode falar da paz sem falar da RENAMO.

RENAMO não é RENAMO na Assembleia da República!

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RENAMO não é RENAMO no Conselho Constitucional!

RENAMO não é RENAMO na Polícia da República de Moçambique!

RENAMO é RENAMO com as armas que Nhongo tem nas mãos…

Nós a sociedade, gostávamos de dialogar com aquele que tem o poder das armas na mão. Seja que quer que for, a paz depende de quem tem armas.

JT: Dado os eventos anteriores, da detenção de jornalistas e perseguição de quem pensa diferente. Como é que avalia a liberdade de expressão e democracia em Moçambique?

YS: Quando você pensa diferente é perseguido e humilhado. Só haverá democracia e liberdade de expressão em Moçambique quando a FRELIMO sair do poder e passar a ser oposição.

A FRELIMO está a tomar conta de tudo mesmo nos seus negócios. Imagine agora que temos Secretario do Estado com o departamento de finanças e o Governador eleito também com o departamento de finanças, onde cada um vem cobrar a sua parte. No final das contas, ficas sem nada.

Se tu não entras no sistema da FRELIMO não terás futuro.

O Estado moçambicano é uma ruína e os escravos vão a urna para eleger os seus escravisadores.