Fale com o Presidente - Os números de Nyusi

Os números de Nyusi

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” Alguns responsáveis, se deixaram embalar por relatórios falsos,
relatórios triunfalistas, relatórios que escamoteiam a realidade. porque alguns responsáveis são sensíveis à adulação, gostam de ser adulados, sensíveis ao servilismo e sensíveis ao lambebotismo”. – Samora Machel

É habitual que presidentes pintem o país de cores mais alegres quando se dirigem à população. Faz parte da liturgia do cargo um certo papel de animador de auditório, especialmente quando o objetivo é estimular a economia. O que ele fez, contudo, é diferente. Era como se falasse de um outro pais.

O presidente Filipe Nyusi comemorou nesta segunda-feira (27) o número de empregos formais criados desde janeiro à 27 de abril de 2020 em Moçambique. Na sua comunicação à nação para avaliar a prestação do seu governo nos primeiros 100 dias de exercício do poder executivo, ele afirmou que o país teve 48 mil 323 novos postos de emprego e atribuiu esse mérito a Secretaria do Estado para as áreas da Juventude e Emprego.

Os números, a conjuntura macroeconómica que o pais atravessa desde a descoberta das dívidas ocultas e a consequente retirada do apoio dos parceiros ao Orçamento do Estado, a pandemia mundial- o novo coronavírus – e o bom senso dos moçambicanos em conluio mandam desmentir categoricamente o Presidente. Filipe Nyusi sepultou a coerência a sete palmos da terra sem direito a uma missa de corpo presente.

É preciso nutrir respeito pela inteligência dos cidadãos que dirige, como moçambicano desse contemporâneo século, estou disposto a exonerar lhe dessa gaffe, quando apresentar ao público a lista nominal dos beneficiários por província, e nesse ofício devem constar dados que atestem a veracidade desses pronunciamentos numerais contestatários.

As pequenas e médias empresas que absorvem a maioridade da mão-de-obra e que dinamizam a economia das cidades e vilas neste vasto Moçambique estão a encerrar as portas diariamente, a longos e contáveis anos. Sem uma política clara para a recuperação de postos de emprego e alívios fiscais ou incentivos para os sectores chaves, assistimos um pouco por toda a nação, empresas sucumbirem sob olhar impávido e sereno do Estado.

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Sendo que o novo coronavírus constitui um grande empecilho até para as grandes economias no Mundo, onde reportam-se diariamente milhares de demissões de funcionários e colaboradores de gigantes empresas. Urge questionar a seriedade dos números apresentados pelo presidente Nyusi.

O Pais está paralisado, estamos no meio de duas guerras, a junta militar no centro a exibir a sua musculatura bélica em ataques coordenados contra alvos civis e o Estado Islâmico no Norte a ceifar vidas e a impor uma nova configuração para milhares de famílias e o seu modo de vida.

Onde o presidente foi buscar estes números? Há uma corrente que defende que o Estado tem ferramentas para buscar com precisão estes dados como o E-folha, um sistema eletrónico onde as empresas registam os seus trabalhadores em folhas nominais.

Contudo, qualquer cidadão do bem e racional desde os números de Gaza, não pode e nem deve confiar nas métricas governamentais, a solicitação aos doadores de 700 milhões de dólares recentemente para combater a pandemia sendo que a Africa precisa pouco mais da metade deste número, vem acrescer a lista de desconfianças.

Com franqueza presidente, onde estão os 48 mil 323 novos postos de emprego?