6. Karonga 7 1600x720 1 - Malawi: 2 Moçambicanos mortos por espancamento acusados de disseminar Covid-19

Malawi: 2 Moçambicanos mortos por espancamento acusados de disseminar Covid-19

em DESTAQUES/MUNDO/REPORTAGEM por

Dois cidadãos moçambicanos encontraram a morte no distrito malawiano de Karonga, vítimas de espancamentos na casa do líder comunitário local, acusados de serem os agentes disseminadores do coronavírus naquela república vizinha.

O grupo dos moçambicanos era composto por três indivíduos, por sinal funcionários do aparelho do Estado que, por volta das primeiras horas de Domingo, regressavam de Dar-es-Salam, onde iam buscar as suas viaturas chegadas do Japão.

É que nos últimos tempos tem sido frequente o negócio de venda de carros usados pelos países asiáticos que, através dos diversos portos de águas profundas existentes no continente, os clientes tem recebido as suas mercadorias, levando em terra para os devidos destinos.

Voltemos a verdadeira história:

Segundo um artigo publicado pela Rádio Moçambique, “por volta das primeiras horas de Domingo, quando regressavam de Dar-es-Salam, onde iam buscar as suas viaturas chegadas do Japão. A meio da noite, os três depararam-se com um road block criado por um grupo de malfeitores que saquearam algum valor monetário e de seguida deixados prosseguir a viagem”.

A fonte que temos vindo a citar, noticiou que “quilómetros depois, encontraram mais um road block onde foram obrigados a deixar todos os pertences que tinham. De seguida foram mandados de volta de onde provinham, tendo chegado ao primeiro road block. Chegados aqui, os malfeitores levaram os 3 moçambicanos até a casa do líder comunitário local, onde foram espancados até à morte. Um conseguiu escapulir-se” – pode ler-se no artigo.

Segundo aquele artigo, além de serem acusados de ser agentes disseminadores do coronavírus, os três moçambicanos foram alegadamente acusados de serem homens chupa-sangue, um tabu que ainda reina no seio dos malawianos, pese embora os esforços levados a cabo pelas autoridades governamentais daquele país, no sentido de desviar a consciencializar as suas comunidades para uma vida mais moderna e modesta, sem preconceitos.

Leia:  JAIME FRANCISCO VISITA A 4ª ZONA -BRANDÃO: “O secretariado da OJM está inoperante”

O consulado de Moçambique na vizinha Republica do Malawi ainda não se pronunciou sobre o caso, mas o jornal Makholo sabe de fontes bastante seguras que os restos mortais dos dois moçambicanos chegaram à cidade de Lilongwe na noite deste Domingo e aguarda-se pela criação de condições para a transladação dos corpos para a cidade de Tete, donde são oriundos.

Importa no entanto referir que a onda de boatos sobre a existência de homens chupa-sangue no Malawi abalou sobremaneira aquela república e uma série de assassinatos foi relatada nos distritos de Chitipa, Mzimba, Kasungu, Dowa, Mchinji,e Karonga, tudo ao longo da fronteira com a República de Moçambique.

Até ao momento, 37 pessoas foram presas pela polícia e segundo investigações feitas pela corporação, não há nenhuma evidência tangível que haja chupa-sangue, no país.