Cabo Delgado ataques armados - “Ataques em Cabo Delgado intensificaram-se nos primeiros 100 dias de governação de Filipe Nyusi”

“Ataques em Cabo Delgado intensificaram-se nos primeiros 100 dias de governação de Filipe Nyusi”

em DESTAQUES/REPORTAGEM por

Mais do que os ataques em Sofala e Manica, a verdadeira guerra acontece em Cabo Delgado, província que desde Outubro de 2017 é palco de ataques armados de “insurgentes”, ultimamente reivindicados pelo grupo terrorista autoproclamado Estado Islâmico.

Desde Janeiro deste ano, os “insurgentes” intensificaram os ataques contra aldeias, postos administrativos e sedes distritais, matando centenas de pessoas, entre civis e membros das Forças de Defesa e Segurança (FDS), e destruindo infra-estruturas públicas e privadas, incluindo habitações.

 

Em menos de um mês, os “insurgentes” assaltaram e ocuparam a vila municipal de Mocímboa da Praia e as sedes distritais de Quissanga e Muidumbe. Se antes atacavam aldeias e postos administrativos, este ano os “insurgentes” assaltam sedes distritais, numa clara demostração de força e de poderio militar.

 

A aparente facilidade com que os “insurgentes” assaltaram as sedes distritais aumentou o sentimento de insegurança e de abandono no seio da população de Cabo Delgado e colocou vilas e cidades, incluindo a capital Pemba, em

estado de alerta máximo. Na verdade, Pemba tornou-se no principal destino de milhares de pessoas que fogem dos ataques nos distritos de Mocímboa da Praia, Macomia, Mueda, Muidumbe, Quissanga e Ibo.

 

Na ausência de um centro para deslocados de guerra, as vítimas dos ataques são acolhidas por familiares, amigos e pessoas solidárias e não estão

a receber nenhum apoio do Governo. As agências que prestavam assistência alimentar e sanitária na província retiraram-se devido à falta de segurança no terreno. Esta situação agravou a crise humanitária em Cabo Delgado, numa altura em que a província se tornou no epicentro da covid-19 em Moçambique.

 

No lugar de criar condições de segurança, o Governo está a ameaçar com processos disciplinares os funcionários e agentes de Estado que abandonaram os seus locais de trabalho por medo de ataques dos “insurgentes”. O Governo do Distrito do Ibo, por exemplo, ordenou que até 28 de Abril, terça-feira, todos os funcionários devem se apresentar nos respectivos postos de trabalhos para permitir a reabertura de centros de saúde e de serviços públicos.

Leia:  “Um padrinho, Uma criança na Escola ” vai doar material escolar a 67 crianças desfavorecidas em Quelimane

 

Em Mueda, o Governo distrital está a marcar faltas, desde 20 de Abril, a todos os funcionários que ainda não se apresentaram nos locais de trabalho devido ao medo dos ataques.

O mais caricato é que os Governos distritais sabem e fizeram questão de escrever nos seus ofícios que os funcionários e agentes do Estado fugiram devido à insegurança que se vive na província. No caso de Mueda, as pessoas começaram a abandonar o distrito no dia 7 de Abril, depois de ataques contra várias aldeias e do assalto à vila sede do vizinho distrito de Muidumbe; Já no distrito do Ibo, o abandono das ilhas foi precipitado pelo ataque de 10 de Abril no posto administrativo de Quirimba.