OSSUFOMOMADE - “A democracia está sob forte ameaça em Moçambique”

“A democracia está sob forte ameaça em Moçambique”

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O presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Ossufo Momade, disse, sábado, durante uma visita à Holanda, que “a democracia está sob forte ameaça em Moçambique.”

“Estamos aqui na Holanda para procurar parcerias e alertar o mundo de que a democracia se encontra ameaçada em Moçambique e com risco de regredirmos, o que seria mau para o bem-estar dos moçambicanos”, referiu em comunicado citado pela Lusa.
O líder do maior partido da oposição acrescentou que “o fim da democracia não é um problema só da Renamo. O fim da democracia em Moçambique vai ser um recuo para toda a sociedade. Por isso temos este compromisso de continuar a trabalhar para que a democracia não pare”.
“Não podemos deixar que um partido político faça tudo o que quiser no país”, sublinhou Ossufo Momade, numa referência à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder desde a independência e que viu a liderança reforçada nas eleições de 15 de Outubro.
O dirigente da Renamo está a efectuar uma visita de trabalho à Holanda, acompanhado por quadros seniores do partido, membros da comissão política e deputados.A visita acontece enquanto se espera pelo acórdão do Conselho Constitucional (CC) de Moçambique acerca dos resultados das eleições gerais, que a Renamo rejeitou, alegando fraude generalizada, remetendo uma posição para depois da declaração final do CC, que deverá ser conhecida nos próximos dias. Ossufo Momade defende que “a desmobilização dos militares é uma prioridade para a Renamo”, pedindo que cada antigo guerrilheiro tenha a oportunidade de “voltar para casa com dignidade”, lê-se no comunicado. “Este é um processo que requer muita paciência e atenção, por isso, insistimos que os nossos homens devem estar enquadrados em todos os ramos das Forças de Defesa e Segurança”, reiterou.
Ossufo Momade voltou também a distanciar-se das incursões militares que têm estado a afectar a região Centro do país, atribuídas a guerrilheiros dissidentes da Renamo, chefiados por Mariano Nhongo.
“Essas pessoas estão a agir por conta própria. A Renamo continua focada na implementação dos acordos assinados no âmbito da desmilitarização, desarmamento e reintegração”, sublinhou. O líder da Renamo acusou ainda o Governo de Moçambique de ter falhado ao contratar mercenários para liquidar insurgentes islâmicos no Norte do país, ignorando o real problema das populações.
Para Momade, o envolvimento dos estrangeiros está a diluir aquilo que é o pensamento dos moçambicanos sobre os conflitos sociais e religiosos que estão na origem dos ataques a alvos civis ou ligados ao sector petrolífero, que está a fazer fortes investimentos na província de Cabo Delgado.
“Nós não concordamos com a intervenção militar”, afirmou o líder da Renamo, acrescentado que, “nunca o Governo veio a público dizer a origem desses grupos ou quem são”, preferindo “aldrabar a população moçambicana” e vedar o território à imprensa. “Cada dia que passa, moçambicanos morrem, as residências são destruídas, mas ninguém sabe o que se está a passar em Cabo Delgado” e “esta situação está a alastrar-se para outros distritos”, avisou.

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Alerta do Reino Unido
O Governo do Reino Unido lançou um alerta a desaconselhar todas as viagens não essenciais pelas estradas do Centro de Moçambique onde diversas viaturas têm sido alvo de ataques armados desde Agosto.
O alerta publicado no portal do Governo “desaconselha todas as viagens não essenciais na estrada nacional 1 (EN1) entre Inchope e a localidade de Gorongosa e na estrada nacional 6 (EN6) entre Tica e Inchope”.
Aqueles troços de estrada têm sido palco de ataques armados atribuídos pelas autoridades a guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e que desde Agosto já provocaram 10 mortos e vários feridos.
O alerta do Reino Unido surge depois de os Estados Unidos e Canadá também terem actualizado nos últimos dias alertas a desaconselhar viagens por terra em Moçambique, no caso, na região de Cabo Delgado, afectada por ataques armados junto às principais estradas do Norte da província.