Sucatização de Moçambique

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A indústria da sucata é das mais florescentes, sobretudo no terceiro mundo. Viaturas, máquinas industriais, geleiras, rádios, TVs, quando já não podem ser reparados vão para empilhadeiras, trituradoras e, por fim, para fundição, donde resulta novo material.

 

Curioso nisto é  que quem vende a sucata,  normalmente é um pobre coitado,  mas quem recicla, exporta ou faz a fundição, fica com o maior lucro.  Para além  da sucata física, como viaturas, em Moçambique uma nova indústria de sucata está cada vez mais forte: sucatização  da democracia.

 

A estratégia do regime, desde a luta de libertação é tornar tudo sucata para poderem reinar. Quando Mondlane tentou emprestar um pouco do seu projecto de sociedade, com base na sua sólida formação académica e experiência profissional nos meandros da nações unidadas, a rainha da sucata, Frelimo, abandonou a “crítica e autocrítica” e optou pelo buuummm e, Mondlane, se desfigurou justamente por um engenho montado no que ele mais gostava, o Livro. O Pai da unidade Nacional foi morto por aqueles que, até hoje,  mais alto evocam o seu nome.

 

Finado o unificador dos nacionalismos Moçambicanos, os sucateiros rasgaram os estatutos da Frelimo para evitar que Urias se tornasse Presidente. Até foram pedir de empréstimo à  antiguidade clássica,   ao “triunvirato romano”, um termo para que a sucata tivesse um cunho um pouco culto.

 

Samora Machel, em representação da Frelimo, assinou, com o Governo Português, a 7 de Setembro de 1974, o acordo de Lusaka, em que nos seus seis artigos que mudaram “a história de um Povo e de um País”, preconiza que em Moçambique não prevaleceria nenhuma espécie de discriminação e que deviam se realizar eleições após a proclamação da independência. Após a histórica declaração “total e completa”, a indústria da sucata do regime foi accionada e o acordo de Lusaka foi rasgado, várias vezes, ao cumprido. Resultado: abolição da liberdade religiosa; extinção dos movimentos associativos; baniram partidos políticos; fuzilamento público de todos quanto quisezem exercer o livre pensamento. Mais grave, sucatizou-se o compromisso de realizar eleições: Frelimo auto-intitula-se, como o fez o MPLA em Angola, o representante único e exclusivo dos Moçambicanos, o guia [divino]  do povo e do Estado.

 

Assim iniciava uma longa história de 4 décadas de domínio de golpistas. Esfaquearam o acordo de Lusaka, estabeleceram campos de concentração, como fãs de Hitler, abriram as portas do inferno, e lançaram para o abismo milhares de almas em nome de “purificação” da sociedade rumo a formação do “Homem novo”. Pelas milimétricas semelhanças, é espantoso e impressionante o copy/paste feito  ao modus operandi da “araniazação” nazi.

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A semelhança do toureiro, pegaram a Economia pelo cornos, centralizaram tudo, o guia do Povo e do Estado, o sucateiro, estralhaçou toda indústria e plantou, como cogumelos, sucatas em todo País: Madal, Boror, Vidreira, Texmoque, Texlom….. em fim….. os golpistas deixaram um rastro de destruição económica e social,  cujas feridas, até os dias que correm, ainda não fizeram crosta.

 

Samora Machel, o pioneiro da sucatização  do País, acabou vítima da mesma indústria subversiva que ajudou a implantar. O avião em que vinha de Zâmbia para Maputo,  foi sucateado nas montanhas de Mbuzini.

Evaporado o corpo do autor da ” a luta continua”, os golpistas decidem vender o ferro velho que eles mesmo levaram a enferrujar.  inicia a privatização das empresas do Estado. Quem compra? Voila!  Sucateiros de Moçambique (Sumo).

Em 1990 se estabelece a Constituição Multipartidária. Todas as eleições foram sucateadas. O sistema de justiça?  Sequestrado. A Polícia? Convertida em segurança privada dos sucateiros. Órgãos eleitorais? Hehehehe…. palavras para quê?

 

Para colocar a cereja no bolo, a partir de 2013 inicia um processo de aceleração de sucatização do País, destroem-se todos rolamentos do tesouro nacional e fez-se o leilão do povo e da terra por via do Credit Suisse e VTB Bank. Resultado: o povo está com a corda colocada no pescoço, as mãos e os pés atados e o banquinho abaixo começa a tremer.

 

Sucateada a Economia, as Finanças, a Sociedade, a Educação, Saúde… faltava dar o golpe de misericórdia:

 

  1. a) Em 2018, no Outubro negro, em definitivo, a suspensão da viatura quebra, os pneus estoiram em pleno andamento e o motor gripa: Sucatização das eleições Autárquicas.

 

  1. b) Nas vésperas da passagem do ano de 2018, Manuel Chang é detido na RSA. Esta reclusão, marca o início da saída dos coelhos da cartola. Fica provado que a Frelimo e o seu Governo são o centro catalisador do maior evento histórico de degradação das condições financeiras e Económicas do país; o esvaziamento total da ética e da moral; a promoção do espírito e sentimento colectivo de miséria, convocando, em geral, o povo a ter que se colocar à venda num leilão internacional, em montantes muito inferiores ao seu real valor.
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  1. c) Em Outubro de 2019 regista-se a maior caricatura eleitoral da história do País. Morte da democracia. Fim da picada. Água começa a misturar com óleo. A máquina eleitoral tosse, cospe sangue, estremece e apaga. Viva Frelimo!

 

  1. d) Novembro de 2019 é repleto e frutífero de revelações avassaladores a partir de Nova York. Jean Boustani descodifica um famoso enigma: Quem é o New Man. Temos razões para nos orgulhamos, o regime dos últimos 45 anos deixa como legado para as futuras gerações um recorde africano: estamos bem posicionados, entre os países nomeados para o prémio da “malandragem governamental do século”. O bolo na cereja é sermos, graças ao New man, quase certo, os favoritos para o prémio do “sumo gatuno”.

 

Para concluir, salientar que o regime da Frelimo beneficiou o mundo da ciência. Trouxe elementos para um caso de estudo para infindáveis teses de doutoramento.

 

O mais ilustre banditismo e máfia planetária, vai dedicar culto especial a Frelimo, visto que este partido bateu todos os recordes na sua extraordinária capacidade de aplicar a operação de subtração no erário público.