Nahene: Um bairro fantasma

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“Nos trouxeram para o fim do mundo” = Rabia Fernando

A população reassentada na zona de Nahene (Mureveia), posto administrativo urbano de Napipine, continua a reivindicar melhores condições de vida, a inexistência de serviços básicos essenciais, coloca aquela circunscrição geográfica como um dos piores lugares para viver, pelo menos na cidade de Nampula.

Dista acerca de 10 quilômetros da estrada Nacional Nr 01 e, Nahene ainda reivindica o estatuto de unidade residencial com 95 casas construídas pelo Corredor Logístico de Nacala (CLN)  no âmbito do reassentamento acordado entre a população e a empresa  para dar lugar a construção da linha ferra que liga Moatize à Nacala- velha

A penúria campeia, sem água canalizada, posto de saúde, patrulhamento policial, mercado, transporte, as bebidas alcoólicas   é que completam as horas de lazer.

Rabia Fernando, de 28 anos de idade reside em Nahene a dois anos, e conta a nossa Reportagem que mesmo diante das dificuldades tem de se adaptar, dado que não possui outro lugar para viver ” as casas chovem, há infiltração de água quando cai a chuva, e quando é noite passamos em claro”.

Rabia, calcula que estes e outros motivos devem estar por detrás do abandono assinalável da maioridade dos beneficiários das casas construídas pelo CLN, e remata “nos trouxeram para o fim do mundo”. Não pela distância que divide Nahene com o centro de Nampula, mas pela falta de serviços básicos essenciais, esclarece.

Rabia Fernando, de 28 anos de idade reside em Nahene
Rabia Fernando, de 28 anos de idade reside em Nahene

A jovem mãe de três filhos narra que para grande parte das mulheres daquela unidade residencial, a falta de assistência hospitalar nas proximidades é um dos principais empecilhos “tive o meu último bebé a 17 dias em casa, porque o hospital está a cerca de 15 quilômetros daqui e não há transporte “.  Estes e outros problemas garante a fonte, tem merecido debates acessos nas reuniões de frequência mensal organizadas pela comissão de moradores que procuram junto a empresa e o Conselho Autárquico local soluções para os seus problemas.

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Os produtos alimentares para a confeição de uma refeição diária custam ao bolso da família da Rabia 300 meticais, contra os 150 de uma família que reside na zona urbana, segundo explica a fonte, há outros custos a considerar como transporte motorizado que em média é de 200 meticais de ida e volta para o mercado do Waresta, o mais próximo do centro de reassentamento.

 

A reação da empresa

Sobre os problemas levantados o Jornal Txopela ouviu a empresa que garante que no capitulo de segurança e cuidados de saúde primários, está em construção ” a menos de 1 km da área de reassentamento … o Hospital Geral de Nampula que vai atender a todos utentes daquela região ” embora sem avançar datas e planos o CLN também afiança que se espera também “ a instalação de um posto policial para garantir a segurança da comunidade “.

Outras medidas de intervenção da empresa CLN para minimizar a penúria dos moradores do reassentamento, prende-se com a o incremento das fontes de abastecimento de água, que desde setembro último decorrem os estudos para a sua efetivação.

A questão de transportes públicos, um dos principais calcanhares de Aquiles para os residentes naquela zona, a empresa deixa claro que não é da sua competência e atribuição resolver o problema, remetendo o assunto ao Conselho Autárquico local, conquanto garante que há contactos com as autoridades no sentido de se encontrarem soluções.