LIBERDADE & INDEPENDÊNCIA

Infanticídio na Zambézia: Um final trágico que podia ser evitado

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A cronologia dos acontecimentos de um crime que chocou Moçambique.

É um crime hediondo que chocou o País, foi numa quinta-feira (07 de novembro) em que tudo começou. Dois adolescentes do bairro Acordos de Lusaka em Quelimane, província da Zambézia, raptaram um menor de 08 anos de idade a mando de um suposto traficante de órgãos humanos.
Gil João Almeida de nome completo, foi sequestrado na sua residência onde morava com o seu avô. Para encobrir os vestígios do tipo de crime, os raptores chegaram a surripiar alguns bens no interior da casa com destaque para cereais.
Após 06 dias de denuncia e pressão de familiares e a população junto das autoridades comunicando o desaparecimento do menor e exigindo diligências céleres por parte da polícia, foram neutralizados os dois adolescentes confessos e encarcerados na terceira esquadra da Polícia da República de Moçambique em Quelimane.
A detenção criou uma onda de indignação que motivou dezenas de munícipes residentes naquela circunscrição geográfica a amotinarem-se na esquadra exigindo a soltura dos raptores com o objectivo de estes indicarem o local onde teriam deixado Gil João Almeida.
A polícia respondeu no local com gás lacrimogéneo para dispersar a população. O Jornal TXOPELA no local conversou com um dos manifestantes e familiar do menor sequestrado, que assegurou que o comandante da esquadra em alusão garantia que os indícios apontavam que a criança se encontrava dentro de uma das residências no bairro Acordos de Lusaka.
“O Comandante está a dizer que a criança está numa das casas entre nós. Se eles têm essa fuga de informação porquê não saem e procurar essa criança.?” – questionou.
Para amainar os ânimos dos residentes que exigiam justiça e a libertação dos dois adolescentes, falando a imprensa o Porta-voz da PRM na Zambézia, Sidner Lonzo, garantiu que varias equipes encontravam-se no bairro numa operação para localizar o menor.
Foi no quarto dia após as manifestações dos residentes do bairro Acordos de Lusaka que foi encontrado o corpo do Gil Almeida de 08 anos de idade sem vida, esquartejado e com ausência de vários órgãos vitais e genitais. De entre vários órgãos em falta no corpo do pequeno Gil, o destaque vai para o pénis, vísceras, coração, cérebro, olhos e pés.

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O mandante do sequestro
Foi nesta segunda-feira (18) que o nome de Elias Durão, um professor primário afecto à uma EPC em Namacata saiu a ribalta, apontado pelos sequestradores como sendo o mandante do rapto.
Elias Durão é dono de 8 mansões localizadas no mesmo bairro e pesam várias acusações contra ele que o ligam a venda e trafico de órgãos humanos. Após a sua detenção o suposto mandante falou a imprensa e recusou peremptoriamente o seu envolvimento no caso e refuta as acusações feitas por populares e os sequestradores do menor, diz que são infundadas e que se trata de inveja destes por conta da riqueza que ostenta. O acusado diz que a fortuna que acumulou tem proveniência licita e fala de uma empresa de transporte de material de construção como fonte da receita.
“Eu sou professor e comerciante, mas aquilo que eu tenho, não nada haver com o professorado porque eu comecei a trabalhar em 2014. Eu sou transportador de material de construção. Me acusam por causa do meu sucesso no trabalho. Aquilo que tenho, compro terrenos e construo. Talvez o mal é de estar a comprar terrenos no mesmo bairro”- vincou.
A confirmação por parte dos sequestradores de que estavam a obedecer ordens directas de Elias Durão para sequestrar o menor foi suficiente para travar-se uma batalha campal na residência do professor. O corpo sem vida, esquartejado e encontrado a pouco mais de 400 metros da residência de Elias Durão foi a gota de água que fez transbordar o copo.
Populares amotinados e enfurecidos chegaram a introduzir-se dentro do quintal do suposto mandante de onde destruíram parte da casa, carros e o murro de vedação não escapou. A polícia foi chamada a intervir para repor a ordem, uma viatura irrompeu o espaço com agentes armados que começaram a disparar gás lacrimogénio e balas de borracha numa acção justificada pela PRM como sendo para dispersar a população.
Por seu turno, o Porta-voz da Polícia da República de Moçambique na Zambézia, Sidner Lonzo, afirma existirem fortes indícios do indivíduo estar envolvido no caso. Afirma ainda que o corpo do menor, apresentava sinais que indicavam estar guardado em um frigorífico ou congelador.
Desde o dia em que foi localizado o corpo do menor, está instalado um forte aparato policial na residência do suposto mandante do macabro crime e populares tentam a qualquer custo incendiar a casa como forma de fazer justiça.
Pelo menos três pessoas foram atingidas por balas de borrachas disparadas pela PRM, das quais uma encontra-se em estado grave a lutar pela vida no Hospital Central de Quelimane.

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