LIBERDADE & INDEPENDÊNCIA

Por uma campanha eleitoral responsável

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Há escassos dias, tem início em Moçambique a Campanha Eleitoral com vista as eleições legislativas e presidenciais do próximo dia 15 de Outubro. As eleições deste ano, por sinal as sextas eleições legislativas e presidenciais, tem a particularidade de eleger pela primeira vez os Governadores Provinciais e os Membros das Assembleias provinciais o que não deixa de ser um ganho para a nossa jovem democracia e paz.
O momento da campanha eleitoral deve ser sinónimo de festa, alegria e sobretudo respeito para quem não comunga os mesmos ideais e prefere alinhar por outra ideologia política.
O que se tem assistido ultimamente, tem sido o inverso do que anteriormente foi retratado. A confusão, a discórdia, acusações mútuas e sobretudo agressões físicas que culminam com derramamento de sangue, tem sido a característica principal das campanhas eleitorais em solo pátrio. O que não deixa de ser grave e preocupante e reprovável.
Li uma entrevista da Senhora Teresa Heinz-Kerry, uma cidadã de descendência portuguesa mas nascida em Moçambique, na altura esposa do Candidato a Presidente dos EUA pelo lado dos Democratas John Kerry, algo da entrevista retive, e dizia, citando de memória que “as campanhas eleitorais são um cemitério de ideias reais e local de nascimento de promessas vazias”, o que não está longe da verdade se tivermos em conta que em quase todos cantos do mundo, a época das campanhas eleitorais é caracterizada por promessas de políticos com vista a ascensão dos cargos públicos que almejam, mas uma vez eleitos, demitem-se do seu dever de cumprir com o seu manifesto eleitoral caracterizado por promessas difíceis de cumprir, deixando órfãos os eleitores responsáveis pela eleição dos mesmos.
Em África exemplos não faltam. E há quem no calor da emoção da época da campanha eleitoral prometa erguer pontes em locais onde não há rios e lagoas e muito menos é imperioso erguer pontes naqueles locais. O mais importante é “vender” o manifesto eleitoral ao eleitorado de modo que alcance os seus intentos de se eleger e ser eleito, para mais uma vez demitir – se da sua responsabilidade de cumprir com o prometido durante a campanha eleitoral.
Mas mais do que promessas vazias, o que se pede para este momento de campanha eleitoral é que os candidatos e as formações políticas pautem pelo civismo, pelo urbanismo, pelo respeito mútuo, que não haja confusões que desemboquem em agressões físicas e derramamento de sangue, porque é possível vivermos a unidade na diversidade respeitando as convicções políticas de cada um de nós. É sim possível conviver na diferença.
Para além deste apelo, não menos importante é o respeito ao meio ambiente que se quer são a bem de todos nós e das gerações vindouras. É comum nesta época, a colagem de panfletos de manifestos eleitorais dos partidos políticos e os seus candidatos de forma desorganizada e em completo desrespeito as regras contidas nas leis eleitorais e demais leis extravagantes sobre a matéria. Nesta época, as vilas, municípios, cidades, perdem literalmente a estética e a beleza, os panfletos para alem de serem estampados em murais, nalgumas vezes em repartições públicas, num claro atropelo à lei e demais posturas camarárias, são atirados ao chão, a bem do ambiente, urge evitar este tipo de condutas que em nada nos dignificam como cidadãos desta pátria de heróis.
A bem da campanha eleitoral que se avizinha, apela-se que sejamos responsáveis.

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