LIBERDADE & INDEPENDÊNCIA

MILANGE: O El Dourado das prostitutas malawianas

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Há cada vez mais mulheres moçambicanas e malawianas a abraçarem o “ramo” da prostituição no distrito de Milange, província central da Zambézia como alternativa de sobrevivência.
A prática, arrasta menores de idades nativas e outras oriundas dos distritos circunvizinhos daquele ponto do país, sob olhar sereno das autoridades locais.
O “ramo” na Vila fronteiriça de Milange, é dominado maioritariamente por mulheres malawinas que imperam em vários prostíbulos, facto que contribui para a fraca clientela para as nativas.
Dos principais prostíbulos que as malawianas imperam, o destaque vai para Vodacom, Chapéu e Saide.
A equipa reportagem do Jornal Txopela, saiu a rua para aferir em loco, como funciona o mundo da prostituição transfronteiriço.
Em conversa com a nossa reportagem, as trabalhadoras de sexo que decidiram falar em anonimato, asseguram que estão cientes dos riscos que são expostas no exercício das suas actividades, sem outras saídas de sobrevivência, continuam a abraçar a actividade.
Contam que, além do dinheiro, o preservativo tem sido o principal passaporte para a “viagem”, mesmo existindo alguns homens que as aliciam a entrar “abordo” sem o preservativo em troca de valores altos de dinheiro.
De entre os prostíbulos, o do Saide é o mais caro em termos de preços, comparativamente o de Vodacom e Chapéu.
Para a trabalhadora de sexo que decidimos tratar de Marieta, os preços variam de beleza, experiencia e novidade. “Quanto mais experiente e bonita, mais atrai homens, chegando até de ter clientes fixos”.
O outro aspecto é quando a mulher é mais nova, atrai mais curiosos e consequentemente, ela se torna mais cara.
Facto curioso sobre a clientela, é que por razões culturais, os nativos não aderem aos prostíbulos, o maior número que frequenta esses locais, são vientes. O prostíbulo do Chapéu por exemplo, é frequentado até por indivíduos de origem Bengali.
Outro facto curioso que chamou atenção a nossa reportagem, é que muitas das mulheres que praticam a actividade são casadas e fazem esse trabalho muitas vezes com o conhecimento dos seus cônjuges.
Questionada sobre como é possível um homem consentir que a sua companheira faça esses trabalhos, uma das nossas entrevistadas, disse que a pobreza pela qual as suas famílias estão mergulhadas, não abre espaço para valores morais e que prostituir, é melhor que roubar.

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