Frete político!

em OPINIÃO por

Está sendo um hábito recorrente o apego e demonstração pública e por vezes exagerada sobre determinado partido político ou líder político como se de uma seita e respectivo líder religioso se tratasse em Moçambique.

Muitas vezes apelidados de bajuladores e ou lambe botas, os acólitos dessas novas seitas ripostam com suposto sentimento de inveja quem assim os chama.

Quer se queira ou não, muitas das vezes, estes novos acólitos que tentam a todo o custo estar em frente da sacristia para mostrar ao Sacerdote, o Ministro da missa bem como os demais crentes, que são mais crentes que todos outros da congregação religiosa, influenciam os líderes nas tomadas de decisões que acabam influenciando consequentemente o curso de uma toda nação. São estes “fretistas políticos” que sob a capa de académicos e algumas vezes sob manto de membros de “longa data” do Partido pelo qual vendem as suas ideias e conhecimentos, escondendo os seus verdadeiros intentos – benesses pelo frete prestado – que vão intoxicando a opinião público defendendo os seus amos quando os mesmos tenham eventualmente cometidos gafes monumentais ou acolitando suas ideias para fazer crer que aquelas ideias são isentas de máculas e que seguir as mesmas é um imperativo nacional, um autentico MUST que beneficia à gregos e troianos.

Há um bom par de anos, li sobre a história do conselheiro de um imperador romano.

A função deste consistia naquilo que é o inverso dos fretistas políticos modernos. Este conselheiro tinha como missão alertar ao imperador que não passava de mais um ser mortal por mais que o povo batesse palmas ensurdecedoras em plenos comícios como sinónimo de satisfação pelas ideias e decisões do imperador. O conselheiro lá estava a sussurrar ao ouvido do imperador “o povo ama – te, o povo venera – te, mas não te esqueças, não passas de mais um mortal que vai passar pela face da terra”.

Leia:  “Eu sou depressivo, apetece-me desistir, mas não quero morrer”

Confesso que é deste tipo de conselheiros que os nossos líderes precisam e não de quem os bajule, de quem os engane com relatórios triunfalistas que escamoteiam a verdade.

Num passado recente houve este tipo de gente, com a mudança de liderança, muitos deles ficaram órfãos de amos e de benesses, hoje estão no anonimato, sem as habituais migalhas que lhes eram atirados das mesas para o chão onde os mesmos se encontravam prontos para receber e servir de mana.

Os que tentam resistir a orfandade e o anonimato lançam farpas aos actuais lideres desacreditando – os e vingando – se da sua situação de órfãos como se a nova liderança tivesse alguma culpa no cartório.

A mesma sina aguarda aos actuais fretistas daqui há alguns anos.