O tiro que saiu pela culatra à Donald Trump

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“Voltem para casa e ajudem a melhorar os lugares corruptos e infestados de crime de onde vêm”. É muito interessante ver congressistas democratas, progressistas, que originalmente vêm de países cujos governos são uma catástrofe total e completa, os piores, os mais corruptos e ineptos do mundo (se é que funcionaram como governos), dizerem em voz alta e agressivamente para o povo dos Estados Unidos, a nação maior e mais poderosa do mundo, como o nosso governo deve ser gerido. Depois voltam e mostram como é que fizeram. Podem ir o mais rapidamente possível.”

O tweet do Presidente dos Estados Unidos da América que está a gerar indignação colectiva vinda de Democratas e alguns Republicanos e uma parte da sociedade americana que não se identifica com a xenofobia e o racismo.

Pese embora num primeiro momento a mensagem não tivesse identificado as destinatárias, sabe – se agora que a mesma visa as Congressistas Alexandria Ocasio-Cortez, Ilhan Omar e Rashida Tlaib, que lideraram as divergências com a líder dos democratas naquela câmara, Nancy Pelosi. Ocasio-Cortez, Tlaib e Pressley nasceram nos Estados Unidos, mas têm origem porto-riquenha e palestiniana, enquanto Omar nasceu em Mogadíscio e chegou a território norte-americano como refugiada.

Do comportamento instável do Presidente dos EUA incluindo o racismo e xenofobia declarados é algo irrefutável, mas era imprevisível que em tempo de pré – campanha eleitoral face as eleições presidenciais que se aproximam, valesse de tudo para distrair o eleitorado e dividir os Democratas de modo que o sentido de voto fosse favorável a mais um mandato na Casa Branca para Donald J. Trump.

Acusações de que Trump quer tornar a América não grande outra vez, mas sim numa América de brancos não faltaram e têm sido num coro entoado por quase todos por estes dias numa das nações mais civilizadas do mundo.

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Quando instadas a comentar o ataque de Donald Trump as visadas limitaram – se a ignorar alegando que é uma forma do Presidente fugir de assuntos tão candentes como são as  casas com preços justos, serviços de saúde e imigração, por exemplo Ayanna Pressley, a primeira negra eleita pelo Estado de Massachussets ao Congresso americano limitou – se a responder: “refiro-me a ele como ‘o ocupante’. Ele simplesmente ocupa um espaço. Não tem nele nenhuma das qualidades, princípios, responsabilidade, integridade, compaixão, que são precisos para ocupar esse cargo”.

O ataque feroz que Trump desferiu as cidadãs pelo simples facto de serem descendentes de países africanos e latinos denota que o fim é de persuadir que as mesmas exijam menos de Trump enquanto Presidente dos EUA bem como numa possível distracção do eleitorado de modo que consiga um voto de confiança para um segundo mandato. Só que o tiro saiu pela culatra, se tivermos o hino de reprovação das suas mensagens carregadas de ódio racial e xenófobo que permitiu uma união de Democratas e Republicanos com o fim de apelar ao bom senso de Trump, na sua qualidade de Presidente de uma das nações mais poderosas do mundo.