“Eu sou depressivo, apetece-me desistir, mas não quero morrer”

em OPINIÃO por

 

 

De um lado a vida, na mão uma corda, eu por cima do muro e atrás o mar. Não sei qual deles escolher, mas não quero morrer…

 

Olá, eu sou um depressivo, mas não quero que me mate.

Eu só queria ser feliz. É o que acabou comigo. Fui acabado pelas exigências da sociedade, pelo padrão de convivência de um mundo globalizado, mas burro em sentimentos. Eu queria ser muito além do que sou hoje, mas as vossas convicções inibira-me de continuar a crer numa realidade a meu favor.

 

Vendo pessoas valorizarem objectos e destratando seres iguais a elas, o meu ser cai em banho-maria no desprezo. Eu sou um depressivo. Sou uma pessoa cuja mente já está cansada de pensar como seria o mundo se eu fosse útil.

 

Como poderei viver se aos olhos de quem me deveria zelar sou paranoico? Não sei, mas não quero morrer. Mas, também, ninguém liga.

Cansei de olhar em vão, pois, os meus olhos lembram-se só do dia em que não choraram.

 

Hoje, suas lágrimas inundam uma face estática, que já não tem motivos para lindar-se. Os meus olhos cansados de olhar em vão, iriam-se. Transformam o meu corpo num mar, também com sabor salgado.

 

Por vezes apetece-me caminhar ao lado do mar, esperar que as águas beijem os pés. Vaguear na areia sufocada pelo salgado da praia. Despejar a vontade de afogar ideias. Mergulhar no zumbido das ondas. Calar a vontade de desejar o melhor. Abrir um novo parágrafo, matar os paradigmas e viver uma outra história. Mas me lembro que não quero morrer.

Leia:  HUMANO! ONDE ESTÁ O HUMANISMO?- Rogerio Marques Junior

 

A depressão é vista como uma quebra da funcionalidade padrão cerebral, melhor dizendo: um depressivo é um maluco, desequilibrado mental. Eu sou apenas um ser comum, humano como qualquer outro, mas sem peso. A sociedade definiu padrões que não me adequo. As pessoas tornaram-se pessimistas, mas o pessimismo é o meu pensamento.

 

Enquanto se discute o que é bom para tosse, minha mente explode. Só queria que me ouvissem, me dessem atenção. Desejava que não me julgassem. Queria sentir-me um ser normal. Queria tanto que me vissem como um ser capaz de, também, fazer alguma coisa.

 

As pessoas estão preocupadas com a depressão natural pois poderá causar estragos, têm medo das precipitações atmosféricas e suas aparências e bijuterias. Enquanto isso, debaixo da mesa debando-me. Vendavais assolam minha mente, enquanto ninguém bate na minha porta. Apetece-me desistir, mas não quero morrer.

 

Eu só queria saber se é possível ser aceite como sou, sem ser julgado pois a depressão já me aprisiona a mente e me condena à morte sem ter cometido algum crime.

Cansei!