Chabane: A história de um deficiente visual que sonha em ser jornalista

Chabane: A história de um deficiente visual que sonha em ser jornalista

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Estava fadado logo na infância a um futuro conturbado, conquanto a deficiência visual não conseguiu roubar-lhe a esperança e sonhos de um futuro melhor. Chabane Afonso de nome completo, vive na unidade residencial do Coalane em Quelimane, ao Jornal Txopela em discurso directo revela que aos cinco anos de idade foi “condenado” a conviver com a deficiência visual em razão de uma doença que lhe afectou nessa época, não sabe ao certo explicar as circunstâncias e os detalhes desse malévola enfermidade.

Sereno e assertivo nas palavras, hoje com 22 anos de idade, frequenta o nono ano do ensino secundário na Escola Secundaria Geral de Coalane em Quelimane. Revela as inúmeras dificuldades que atravessa no processo de ensino e aprendizagem, dada a fraca preparação dos docentes ou inexistência de docentes especializados para ministrar aulas à estudantes na sua condição.

“Há muitos obstáculos e desta forma não e fácil progredir, principalmente para nós que somos deficientes visuais, sofremos muitas humilhações principalmente quando estamos doentes torna difícil obter medicamentos” – desabafou

Como qualquer jovem, Chabane Afonso tem um sonho, que desde criança almeja que seja realizado, mas enfrenta diversas dificuldades por causa de falta de oportunidades aliada à sua deficiência. Chabane Afonso, sonha em ser Jornalista.

Chabane conta também que grossa parte das pessoas se sentem fascinadas quando o vêm usar telefone para envio de mensagens de texto e computador na redacção de artigos e uso de outras funcionalidades do sistema. É jovem que não verga, é pelo menos esse o depoimento dos colegas da classe, amigos e conhecidos seus, “ele luta contra as ideias pré-estabelecidas, os preconceitos de que pessoas na sua condição não podem ou devem ir atrás dos seus sonhos e esperanças” = Narra.

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Versátil, inteligente e de uma capacidade de memoria apreciável, são alguns detalhes que podem ser usados para caracterizar Chabane Afonso. Um membro activo da Associação dos Cegos e Amblíopes de Moçambique na Zambézia, Chabane, “luta” através desta organização pela integração dos deficientes visuais na sociedade e no mercado de emprego que tem sido um “calcanhar de aquiles”.

Afirma sem complacência que a sociedade precisa respeitar os direitos dos deficientes visuais que por muitas vezes são ignorados

“Na altura eu vivia no distrito de Inhassunge, mas o tratamento era feito cidade de Quelimane com o Doctor Aldo Marchesini. A minha família fez de tudo para que eu voltasse a ver novamente, mas não foi possível” – afirmou Chabane Afonso, acrescentando que, vive-se num mundo em que maior parte da sociedade ignora os deficientes visuais, apesar de estes precisarem de serem acarinhados.