Gritos de um enfermeiro graduado e marginalizado

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Vivemos num país em que o número de técnicos de saúde graduados desempregados e marginalizados é maior. Aliado a isso, está a proliferação de institutos de formação de técnicos de saúde que virou moda para os que tem poder económico e político.

O pior de tudo, está a credibilidade de muitos destes institutos que o Governo atribui licenças para formar técnicos que um dia estará em suas mãos o poder de salvar nossas vidas.

Sei que muitos não entendem, mas eu penso que fazem isso para ver irmão matar próprio irmão, uma vez que eles procuram serviços de saúde e pessoal qualificado fora do país.

Senhores dirigentes do nosso país e donos dos institutos que simplesmente estão preocupados com o lucro do vosso precioso negócio!

Se o problema é falta de planificação e gestão, solicitem auxílio daqueles nossos irmãos do curso de Estatística, Gestão de Recursos Humanos da Universidade Pedagógica que atualmente chama-se Universidade Licungo ou de outras faculdades, que vocês marginalizaram. Desta maneira, penso ser possível superar a pouca habilidade de gestão que detêm.

Meus Senhores!

A dinâmica e o conhecimento da ciência e tecnologia são caracterizados pela introdução constante de inovação de procedimentos, o que impõe a cada graduado marginalizado a necessidade de atualizar-se permanentemente através da participação em cursos de capacitação, em debates do estudo e análise de situações problemáticas.

O que se espera de um graduado que a três anos atrás não esteve em contacto com o doente?

Estamos a perder habilidades. Alguns estão a pedir para trabalhar sem salários nas unidades sanitárias para garantir aquela habilidade que já tínhamos na carreira ou na escola. Mas não são todos os hospitais que aceitam nossos trabalhos sem remuneração.

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Esse vosso processo de concurso publico que só veio aumentar o nível de corrupção, continua a prejudicar os melhores estudantes que por muitas vezes são pobres como eu.

Lançaram vagas e levaram vossos sobrinhos, filhos, irmãos que estão a criar estragos nos hospitais. É isso mesmo. Aqueles vossos sobrinhos não qualificados estão a promover a eutanásia nas enfermarias.

Fala-se de auto-emprego!

Aprendemos na carteira que não devo fazer assistência domiciliar, sob o risco de passar muitos anos na cadeia por se tratar de violação da lei mãe a Constituição da República.

Fomos formados em institutos públicos e maior número nos institutos privados (o negócio do momento), onde seus encarregados gastaram muito dinheiro para ver seu filho se formar e trabalhar, o que se redundou em fracasso.

É triste ver um jovem formado em Enfermagem Geral, Medicina Geral, Enfermagem de Saúde Materno Infantil, Farmácia e outros cursos, voltar a fazer táxi de bicicleta ou vender bolinhos na via pública.

A minha questão é: Porquê continuar a aumentar o número dos institutos de saúde se o Governo não tem capacidades de absorver os recém-formados desde o ano 2017?

Para piorar, aquelas clínicas privadas que também são vossas, preferem contratar enfermeiros reformados no aparelho de estado ou em exercício por alegada experiência no trabalho de salvar vidas.

Meus Senhores!

Não existe auto-emprego para o sector de saúde.

Nós os jovens estamos prontos para começar a trabalhar nos hospitais ou nos centros de saúde, mas continuamos à espera de sermos colocados porque esse vosso novo modelo de concurso público não funciona de forma eficaz.

Repito!

Esse novo modelo de concurso público continua a prejudicar estudantes brilhantes como eu e a favorecer assassinos que são vossos sobrinhos, filhos, irmãos, outros familiares ou ainda aqueles outros assassinos que tem, dinheiro para comprar vaga.

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Para terminar, saibam que jovem formado e desempregado é um perigo para a sociedade.