Recenseamento eleitoral: Sala da Paz exorta a maior mobilização da população

Recenseamento eleitoral: Sala da Paz exorta a maior mobilização da população 

em DESTAQUES/ELEIÇÕES GERAIS DE 2019 por

A plataforma de observação conjunta eleitoral, Sala da Paz, exortou, esta quinta-feira, aos partidos políticos e às organizações da sociedade a intensificar as suas acções de mobilização e educação cívica das populações para a sua participação massiva no processo de recenseamento eleitoral, iniciado a 15 de Abril corrente cujo término está previsto para 30 de Maio.

Segundo a Sala da Paz, que conta com um total de 823 observadores do processo de recenseamento eleitoral, verifica-se, até ao momento fraca afluência dos populares aos postos de recenseamento, sobretudo nos distritos autárquicos, com excepção de algumas zonas da Província de Nampula, uma atitude que pode condicionar a realização das eleições gerais, e dos governadores provinciais previstas para 15 de Outubro próximo.

“A Sala da Paz encoraja as organizações da sociedade civil a se envolver em acções de educação cívica eleitoral e a difundir mensagem inclusivas para pessoas com deficiência, mulheres e jovens  nos sentido de se recensearem e exercer o direito de voto”, disse na ocasião Anastácio Matavele, Coordenador  de crise eleitoral da zona sul e membro da Sala da Paz, durante uma conferencia de imprensa que esta plataforma convocou para esta quinta-feira.

Da analise sobre o inicio do recenseamento,  a Sala da Paz diz ter observado com alguma preocupação várias irregularidades dentre elas, dificuldades que se referem a casos de atrasos na abertura  de postos de recenseamento em todo o pais, a avaria de mobiles  e de impressoras em muitos casos na Província de Sofala, o sistema de credenciação  ao nível da cidade da Beira está Offline, dificultando a credenciação de observadores.

“Na cidade de Nampula foram registados casos de brigadistas que não dispunham de senhas para descodificar os mobiles e dessa forma iniciar com os trabalhos. Esta situação levou a atrasos no início do recenseamento em vários postos da cidade, entre eles nas zonas de EPCs de Mutomote, Namutequeliua e Beleneses”, disse por sua vez, António Mutoua, membro da Sala da Paz pela  zona Norte, tendo acrescentado que na Província de Manica, o processo decorre normalmente, sendo que em Dombe, no distrito de Sussundenga verifica-se  que muitos potenciais eleitores estão a recensear com recurso aos testemunhas por terem perdido toda a sua documentação durante as inundações.

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A Sala da Paz refere ainda ter constatado que em todo o País o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral está a usar cartazes e panfletos com datas erradas para a educação cívica por não se ter feito a actualização das datas do processo após o adiamento. Inicialmente, o processo de recenseamento estava previsto para ter início a 01 de Abril, facto que não foi possível por causa do ciclone tropical Idai que fustigou a Zona centro do País com mais severidade na Província de Sofala.

Com relação às zonas afectadas pelo ciclone Idai e pelas cheias na região centro do País, a Sala da Paz diz  estar a prestar atenção especial face ao elevado risco de haver cidadãos que possam ficar excluídos e de ocorrência de ilícitos, “uma vez que se encontram em zonas  isoladas ou de difícil acesso, não obstante  a alocação de brigadas moveis pelos órgãos de gestão eleitoral, o mesmo sucede em relação as zonas onde estão a ocorrer ataques armados  na Província de Cabo Delgado”.

“Apesar dos esforços dos órgãos de gestão eleitoral, para resolver os problemas identificados, a Sala da Paz considera que o recenseamento eleitoral iniciou com muitas dificuldades e problemas  recorrentes e já identificados nos processos anteriores, sublinhou Matavele  para quem estas situações podiam ser minimizados  em alguns locais que não foram afectados pelo Ciclone Idai e inundações, chamando a atenção aos órgãos de gestão eleitoral a desenharem cenários e tomarem medidas para casos das zonas afectadas.

Na ideia de Matavele, o processo de recenseamento para as zonas afectadas devia ser feito na última semana com vista a dar tempo para que as populações destas zonas refaçam as suas vidas após as calamidades que sofreram e poderem dedicar sua atenção ao processo.

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