LIBERDADE & INDEPENDÊNCIA

Quando me bates: Um poema contra à violência doméstica

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Eu grito

Não porque gritas

Porque não me poupas

Rasgas as minhas roupas

Mostras os riscos do teu cinto

Me quebras toda

É como me sinto

Mostras ao mundo as minhas curvas

Eu nua

Talvez não ligas

Despedaças o meu ser

O quanto?

Nem imaginas

Os teus calos esculpem a minha pele

Dor insuportável

O contrário que deveria ser

Que amor miserável

Que coração imprevisível

Animal indomável

Bruto e insensível

Tu gritas,

Eu grito

Me irritas, mas me curvo

Me defendo

Entendes que te ofendo

Despedaças o meu coração

Infestas o meu corpo com cheiro de cachaças

Seguro-te pelas calças

Ah meu coração

Meu coração

Meu cora

Co – ra

Co

Corra! É o que ouço

Hoje eu sinto amor no desgosto

Jaguar no fundo do poço

Amor real ficou no esboço

Machista

vilão

Violento, cão!

E quando me bates,

É o amor na desgraça

Oh desperdício de homem

Eu grito

Não porque gritas

Porque não me poupas

Rasgas as minhas roupas

Mostras os riscos do teu cinto

Me quebras

É como me sinto

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