Parlamentares moçambicanos e suecos trocam experiência sobre participação política da mulher

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A Presidente da Assembleia da República (PAR), Verónica Nataniel Macamo Dlhovo, enalteceu esta segunda-feira as relações de cooperação e amizade existente entre a Suécia e Moçambique, que se consubstanciam no inestimável apoio que aquele pais tem dado a Moçambique a vários níveis.

A PAR fez este pronunciamento, esta segunda-feira, dia 01 de Abril, na sede do Parlamento, em Maputo, durante uma audiência que concedeu a uma delegação de deputadas do Reino da Suécia, que se encontra de visita ao País, no contexto da troca de experiências entre as mulheres dos parlamentos dos dois países.

Na ocasião, a PAR sublinhou que o combate a pobreza continua a ser o maior desafio dos moçambicanos, tendo apelado para o envolvimento de todos na erradicação deste mal que assola o País, tendo vincado que “independentemente das diferenças de índole política, económica, social e cultural, todos os moçambicanos devem se empenhar no combate a este flagelo de modo a catapultar o país para os carris do desenvolvimento”.

Por seu turno, Kerstin Engle e Carin Runeson, deputadas pelo Partido Social-Democrata da Suécia enfatizaram a necessidade da luta contínua pela emancipação da mulher, afirmando que a sua presença em Moçambique tem em vista contribuir para a mudança de paradigma no contexto do engajamento político da mulher.

Depois da audiência com a PAR, a delegação parlamentar sueca partilhou experiências no contexto da participação política das mulheres e do desenho de estratégias para a superação dos desafios com um grupo de deputadas da Assembleia da República, num encontro organizado pelo Gabinete da Mulher Parlamentar ﴾GMP﴿.

Abordar os desafios comuns e o envolvimento de tópicos-chave para o futuro político das mulheres e contribuir para o estreitamento das relações de amizade e cooperação entre os parlamentos dos dois países no que concerne ao engajamento político das mulheres eram os objectivos principais da troca de experiências que contou com o suporte do Instituto para a Democracia Multipartidária )IMD﴿.

De acordo com a Presidente do Gabinete da Mulher Parlamentar, Maria Marta Mateus Fernando, a visita das deputadas suecas a Assembleia da República é uma mais-valia porque vai ajudar os dois parlamentares a trabalhar em prol da mulher e de criança, matérias que constituem objectivos do Gabinete da Mulher Parlamentar de Moçambique.

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“Reflectimos em matérias de violência doméstica gravidezes precoces e também de casamentos prematuros que tem sido problemas que apoquentado mais a mulher e a jovem rapariga no nosso país”, disse Maria Fernando, para quem estas matérias preocupam também ao gabinete da mulher parlamentar motivo pelo qual tem trabalhado para incentivar a rapariga a estudar cada vez mais para que possa ascender a lugares de destaque na nossa sociedade.

Segundo a Presidente do Gabinete parlamentar da Mulher a nossa realidade mostra que uma mulher somente pode ocupar cargos de direcção e chefia se estiver formada, “então a nossa lutar é forma-la para que ela consiga vencer esta luta, que para nós, como mulheres, constitui uma batalha enfrentar para vencer”.

Por sua vez, a Embaixadora da Suécia, Marie Andersen de Frutos, sustentou que a vinda das deputadas suecas a Moçambique é uma iniciativa conjunta entre a Embaixada e o IMD para trabalhar com vista a que as leis que são aprovadas nos dois parlamentos (sueco e moçambicano) não sejam discriminatórias à mulher.

“Muitas vezes vimos que as mulheres são discriminadas e por isso é muito importante que as mulheres sejam activas neste sentido”, disse enaltecendo Moçambique pelo facto de no parlamento ter três mulheres nos cargos de Direcção, nomeadamente a Presidente da Assembleia da República, e as Chefias das Bancadas Parlamentares da FRELIMO e da RENAMO, Margarida Adamugi Talapa e Maria Ivone Soares, respectivamente.

Apesar deste avanço, segundo a Embaixadora da Suécia ainda é insuficiente participação da mulher na política, tendo garantido que o IMD com o apoio da sua Embaixada vai trabalhar com vista a incentivar   mulheres para entrarem na vida política, uma que h espaço para que isso seja efectivo e a mulher trazer mudanças significativas.

“O nosso apoio como embaixada é de ajudar na promoção de mesas redondas para se reflectir sobre estas questões”, disse acrescentando que o apoio a democracia é muito forte na sua parte de cooperação e promover intercâmbio entre os parlamentos tem se afigurando muito importante para se atingir este desiderato.

O Coordenador de Programas do IMD, Dércio Alfazema, explicou, não ocasião, que o encontro entre as parlamentares moçambicanas e suecas enquadra-se no intuito de facilitar a troca de experiências entre os dois parlamentos, uma vez que as suecas possuem uma longa experiência em termos de advocacia para a participação política da mulher.

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“Partindo da ideia de que estamos no mês da mulher que culminará com o 07 de Abril dia da mulher moçambicana, entendemos com a Embaixada da Suécia promover uma série de encontros para reflectirmos sobre a participação da mulher na politica, quer seja na agenda da paz e segurança, quer seja na democracia em si”, disse Alfazema que a ideia central é que a participação da mulher na politica não seja apenas uma questão numérica mas que também deve ter reflexos na qualidade  e no conjunto de acções para incentivar criar interesse noutras mulheres para participarem na politica.

Questionado sobre  visão do IMD quanto a participação política da mulher moçambicana, Alfazema explicou que em termos estatísticos e comparativamente aos outros países, “estamos numa situação melhor mas não é uma situação que nos pode deixar acomodados  nela, o nosso desejo é que no futuro cheguemos a atingir 50 para homens e 50 para mulheres em todos os cargos públicos e espaços políticos, o que passa necessariamente por realizar acções  quer seja com o parlamento  como com outros actores políticos  de modo a incentiva-los  a incluir mais a mulher nas suas listas independentemente se isso é de lei ou não dado que aos  partidos políticos nada impede que incluam mais mulheres nas suas listas”.