MSF responde ao Ciclone Idai em Moçambique com operação de grandes proporções

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Organização detecta enormes necessidades de saúde entre população afectada pelo ciclone

Mais de 1 milhão de pessoas lutam para reconstruir suas vidas nas áreas atingidas pelo Ciclone Idai e inundações que afectaram a zona Centro do país. Muitas necessitam de ajuda urgente, pois não têm o mínimo necessário para sobreviver. Para responder a estas enormes necessidades, a resposta consequências das inundações e ao ciclone Idai terá de ser de enormes escala. Equipes de emergência da organização internacional humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) estão oferecendo cuidados médicos na cidade Beira, visivelmente fustigada pelo ciclone, sendo que e a organização está aumentando progressivamente suas atividades para outras áreas afectadas como Búzi, Dondo, Nhamatanda e Província de Manica, com os mecanismos de resposta a emergências em pleno funcionamento.

Dados divulgados pelas autoridades indicam perto de 470 pessoas perderam a vida em consequência da passagem, para além da destruição ou danificação de milhares de infraestruturas por toda a área – moradias, escolas, centros de saúde e hospitais. Muitas famílias estão desabrigadas e a maioria das comunidades não têm acesso à água  potável.

Em resposta as consequências do ciclone, a MSF posicionou-se na região com uma equipe de emergência que envolve pessoal nacional e estrangeiro, que  trabalham arduamente para responder as necessidades médicas em colaboração com as equipas do Ministério da Saúde .  Hoje já há mais de 60 funcionários internacionais da organização, que estão trabalhando ao lado das equipes de MSF que já estavam na Beira trabalhando nas actividades regulares que vinham sendo realizadas na área do HIV.

O ciclone deixou um rasto de devastação, com milhares de casas destruídas, deixando a comunidade vulnerável e exposta aos fenômenos da natureza”, disse Gert Verdonck, coordenador de emergências de MSF baseado na Beira.

A cadeia de abastecimento foi interrompida, criando restrições no fornecimento de comida, água limpa e no fornecimento de cuidados médicos. O nível extremo dos estragos deverá provocar um aumento nos próximos dias e semanas de doenças de origem hídrica como a cólera, infecções cutâneas, infecções das vias respiratórias e malária. Além disso, os atendimentos dos serviços locais de saúde, como de assistência materna e HIV, tiveram de ser interrompidos.”

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Neste momento, equipes de MSF estão trabalhando intensamente ao lado do Ministério da Saúde local em três centros de saúde para atender os casos das doenças de origem hídrica como a cólera, assim como na reparação dos estragos causados pela tempestade através da reposição de danos causados em alguns centros de saúde da Beira e dos distritos afectadas.  À medida que mais funcionários e materiais vão chagando a Beira, este trabalho será ampliado para para mais um centros de saúde da cidade e dos distritos afectados, permitindo que pacientes com diarreia severa possam ser salvos com reidratação oral e venosa.

O ciclone causou danos significativos ao sistema de fornecimento de água da cidade, fazendo com que muitas pessoas não tenham acesso à água potável. Isto significa que não há opção a não ser consumir água de poços contaminados, com algumas pessoas consumindo até água empoçada. É claro que isso acaba ocasionando mais casos de diarreia. Os centros de saúde apoiados por MSF receberam nos últimos dias centenas de pacientes com diarreia aquosa aguda”, afirmou Verdonck.

Além de actuar nos centros de saúde, MSF está operando clínicas móveis para fornecer cuidados primários de saúde às comunidades mais afetadas. Estas equipes – formadas por médicos, enfermeiros, promotores de saúde e conselheiros – estão percorrendo os bairros da cidade da Beira, assim como alguns dos 37 abrigos onde se encontram alojadas as pessoas que tiveram suas casas destruídas ou foram resgatadas das áreas inundadas.

“Graças à nossa presença anterior, trabalhando junto com o Ministério da Saúde no tratamento de HIV em Moçambique, temos fortes laços com o país e fomos capazes de reagir rapidamente”, disse Verdonck. “Muitos de nossos pacientes e suas famílias perderam tudo, e por isso o trabalho de nossas clínicas móveis não é importante apenas por prestar atendimento, mas também por se fazer presente em uma comunidade que precisa desesperadamente de ajuda.”

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Até agora, as clínicas móveis têm tratado principalmente casos de diarreia, infecções respiratórias, infecções de pele e feridas infectadas, assim como ferimentos sofridos por pessoas enquanto consertavam suas casas. Quando os pacientes necessitam de cuidados adicionais, MSF os leva para o hospital ou para um centro de saúde.

Além de um primeiro carregamento de suprimentos de emergência recebido de Maputo, MSF enviou até agora quatro voos  cargueiros vindos da Bélgica para Beira com artigos de emergência básicos. Pelo menos mais três aviões devem ser enviados ainda nesta semana, partindo da Bélgica, de Dubai e da França. A grande mobilização para levar carregamentos com suprimentos deve prosseguir nas próximas semanas.

Com os resultados de avaliações de necessidades feitas pelas equipas da MSF nos últimos dias, que incluiu a situação de água e saneamento, o alcance geográfico da actuação da organização foi ampliado para os distritos de  Búzi, Dondo, Nhamatanda , bem como para a províncias de Manica, também severamente afectada pelo ciclone Idai. Em Dondo, está em curso a reabilitação de uma unidade sanitária de referência e de outros três centros de saúde bem como a preparação para resposta a uma eventual eclosão de doença diarreicas e malária. Em Búzi, a MSF começou a apoiar o centro de saúde local com cuidados de saúde primários.