Inhassunge: A filial do Inferno

Inhassunge: A filial do Inferno  

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Trata-se de uma operação composta por forças paramilitares e autoridades governamentais, um número não especificado de agentes de uma unidade da Polícia da República de Moçambique, acompanhados de cidadãos de origem asiática gestores da empresa Africa Great Wall e o primeiro secretario da Frelimo do povoado de Chirimane em Inhassunge, cruzam de porta a porta e de forma coerciva desalojam às famílias que vivem naquela circunscrição geográfica.

Rostos visivelmente abalados, com medo do destino incerto, à musculatura bélica impõe silencio na localidade de Olinda no extremo sul de Inhassunge, distrito que deverá ser palco da exploração de areias pesadas por uma firma de capitais chineses, a mesma que explorou Chinde, de onde “não deixou saudades”.

A resistência da população chegou ao fim, as diversas intentonas travadas contra a ocupação e exploração de areias pesadas naquela circunscrição geográfica foi derrubada com a nova estratégia do poder político e económico, a comandar todas as operações a partir de Quelimane, capital política e administrativa do projecto.

A população descreve a operação como sendo o “colonialismo chinês” que vigora e impõe ditadura em Inhassunge. Além da musculatura bélica usada para desalojar às famílias, foram igualmente obrigados a receber “indemnizações” não compatíveis com as porções de terras e suas residências sem direito a reclamações ou negociação.

Ao Jornal Txopela em Olinda, os residentes explicam que, tudo começa após uma auscultação pública entre os interessados e a população, que redundou em fracasso, uma vez que os proprietários rejeitavam retirar-se de suas zonas de origens sem acordos harmónicos e favoráveis.

Nito João, afirma estar a viver uma situação proterva a olhar pela forma como se está a gerir este processo e o impacto directo na sua vida e dos seus naquela comunidade. Afirma ainda que, após a recusa, o Primeiro Secretario do povoado de Chirimane, acompanhado por um grupo de Agentes da PRM, iniciou a indemnização de forma obrigatória, ninguém se atreve a opor-se dada a presença de armas no espaço de negociação. Lembra com dissabor a morte prematura de um cidadão ano findo e a mutilação de dedos a uma criança, acções perpetradas por uma força de elite da PRM numa intervenção militar bastante contestada .

 “Veio um grupo de chineses e o primeiro Secretario da Localidade de Chirimane que convocou uma reunião com o objectivo de indemnizar as famílias afectadas onde a população recusou. Depois de recusarmos, eles começaram a passar nas casas, te puxavam para dentro junto com os polícias e te entregavam dinheiro” -narra.

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Nito João, disse ainda que as indemnizações compulsivas variam de 500 meticais a 5 mil meticais, dependendo das porções de terras e ou residências afectadas mesmo sem o consentimento do proprietário. Avança ainda que, aqueles residentes continuam com o valor guardado, aguardando ordens de outros residentes influentes para proceder a devida devolução.

Por outro lado, outra residente em Olinda que falou ao Jornal Txopela na condição de anonimato por medo de represálias, disse ser ameaçador viver naquela região onde a vontade popular não é respeitada.

Segundo a nossa entrevistada, os chineses invadiram as machambas, onde destruíram diversas culturas sem o consentimento dos proprietários. Uma pessoa encontra-se detida por rejeitar o valor de indemnização tal como explica em seguida, num relato em língua local traduzido para o português, tal como ela foi.

“Nos todos andamos com medo, porque nos obrigam a abandonar nossas machambas. Quando você resiste de seguida é algemado. No momento tem uma pessoa algemada no farol. Na altura em que estavam a dar o dinheiro quando negavas te algemavam. Eles trouxeram as máquinas e começaram a destruir nossas culturas sem a devida explicação” – retratou a situação. Pede a quem de direito para a devida intervenção naquela localidade onde repetidas vezes os direitos básicos da sua população são violentados.

África Great Wall atira culpas ao Governo local

Para apurar a autenticidade do facto, o Jornal Txopela, conversou ao telefone com a representante África Great Wall, Kiny Aly, que refutou a informação de indemnização e retirada compulsiva, tendo atirado a culpa ao Governo local, uma vez que altos funcionários daquela administração acompanham todos os processos desde as consultas públicas e o actual processo de indemnização.

Além de atirar a culpa ao Governo local, Kiny Aly, confirma a rebelião e diz tratar-se de uma parte dos “residentes rebeldes e agitadores que não estavam alistados no grupo de pessoas a serem indemnizadas”.

Em contrapartida, Kiny Aly, afirma estarem criadas todas as condições para a indemnização de forma pacífica em concordância ambas as partes.

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“Eles não têm enfrentado problemas. Esta tudo bem. Nós não estamos a forçar ninguém. Se há quem pode responder sobre a retirada compulsiva é o Governo porque eles é que ficam lá a presenciar tudo” – afirmou.

A representante África Great Wall, disse ainda que, foram indemnizadas mais de duzentas famílias afectadas.

Governo local diz que a força policial está instalada para manter a ordem

O Director dos Serviços Distritais de Planeamento e Infra-estrutura de Inhassunge, Diocleciano Augusto, disse que a força policial está envolvida nas consultas públicas de porta a porta para manter a ordem e tranquilidade pública por temer situações de rebelião como das vezes passadas.

Diocleciano Augusto, disse ainda que aqueles residentes estão a receber de bom agrado as indemnizações não pela presença policial no processo, mas por reconhecer as vantagens que passarão a gozar futuramente.

 “A força policial esta instaladas lá desde os tempos que houve aquelas manifestações de domínio público. É verdade que a força esta no terreno para garantir a ordem e tranquilidade pública” -confirmou.

O Director dos Serviços Distritais de Planeamento e Infra-estrutura de Inhassunge, disse que os “rebeldes” temem que a ilha desapareça com a exploração de areais pesadas.

Diocleciano Augusto, diz tratar de uma minoria identificada que cria desordens nas reuniões, incutindo nas mentes de outros residentes que a empresa não irá cumprir na integra as suas obrigações.