“Ahm é você Biteri, acora que falaste que começa com P?” – Por Virgílio Dêngua

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Caminhava célere rumo ao infinito, procurando novas formas de vida e oportunidades. Novas amizades sempre serão bem-vindas. Termos e condições? Desde que sejamos bons amigos. Um “bom dia” para uma linda mulher não faz mal à ninguém. Trata-se de um acto nobre entre os educados. Fi-lo!

“Pontia”, respondia do outro lado da rua, uma beldade cuja aparência fazia pensar que mulher não apanha constipação. Linda por excelência. Conquanto, meti-me às dúvidas se realmente os nos meus tímpanos haviam passado sons que condiziam a frase “pontia”. Mais adiante, investindo os meus toques de um bom paquerador pergunto-a “como está?” “Dou bem e você?” — se ela dá ou não dá bem, fica entre as dúvidas de um homem com massa cinzenta realmente poluída.

Cá entre nós, dava mesmo a entender que ela dava bem mesmo. Destaquei isso por causa do tamanho das bundas, pernas, peitos e o jeito com que estilava ao falar. Que se ultrapasse esta parte do texto para que não pensem que sou um escritor safado. “Eu também dou bem querida”, respondi olhando os seus olhos. Ah que face meu Deus. Um bom papo entre estranhos, às vezes pode não acabar bem — nessa senda decidi apresentar-me e falar um pouco sobre mim. “Prazer, sou Liodengua mas é melhor chamar-me de Piter e você?”. “Sou Marda”. Minha mente tem uma capacidade de trabalho mensagens mal endereçadas que, sinceramente, eu acho que é um dom e acreditem: “entendi Marta”. Devo ter ouvido com tímpano esquerdo(…)

“Aonde moras?”, aos poucos vou entrando na sua vida. “Ali”. Resposta curta para quem devia explicar-me, mas importante porque eu tinha interesse. “Ahm, vives com os teus pais?”, questionei. Positivamente respondeu. Não podia centrar-me em paquera-la num só dia. Devia, como um homem educado, deixar que a minha lindeza entrasse na sua mente e ficasse a pensar em mim.

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Então, em jeito de retirada entreguei o meu celular e ela passou o terminal. Gravei “Marta”. Dia seguinte, sensivelmente 30 minutos depois das 18h00, decidi ligar para ir vê-la. “Eustou sconfiaré que o mundo tácabaré…”, era a música configurada ao toque de espera. Eu, deliciando a música sem graça do Puto Português, eis que me atende a moça com uma voz de enlouquecer, de matar e de se escrever à mão; e o seu atendimento mais parecia ser agente de uma linha do cliente — “Olá… carloças sautação. Com guém denho o parcer ti falar a esta hora?”. Fiquei boquiaberto. Mas entendi que realmente um homem quando está apaixonado ouve o que não se disse.

Cá entre nós, eu entendi “Olá… calorosas saudações. Com quem tenho o imenso prazer de falar à esta hora?”. Julgai-me se quiserdes mas eu entendi à minha maneira. “Já não fazes menção de quem eu sou?”, perguntei-a. Ela, com tom de arrependimento arregaça melodicamente: “Custulpa, é que não carvei o nummero”. “Desculpa, é que não gravei o número”, simples e educada. Uma musa deve saber se comportar.

Ponho as minhas mãos no fogo que se fosse uma outra mulher, gritaria comigo. Mas ela… decidi fazer uma brincadeira para tornar o momento mais interessante. Eu disse: “advinha o meu nome, que te convido para saborear uns chocolates”. E ela, “Eu costo tipom-pons”. Eu, “Ah pode ser!” “Vou dizer-te a primeira letra do meu nome e você advinha, fica mais fácil”. A moça pediu para aguardar enquanto ela iria atender alguma coisa que só explicaria depois.

Assim que voltou, questionei-a o que teria ido fazer. Ela disse que estava envergonhada e que não dava para dizer. Eu, como um galante, fiz com se sentisse à vontade e ela respondeu aos sorrisos: “estive na castipanho.” Ahm… um pouco mais safado, “a fazer o quê?” — como se já estivesse na onda da liberdade, “a tar uns michos…” — acredito que foi muita indelicadeza da minha parte perguntar isso. Imagina se fosse o número dois? Ah eu também… enfim, voltamos à brincadeira. Eu a disse que o meu nome iniciava com a letra “P”. Ela meteu-se a pensar… e começou as advinhas: “Pernarto?”, “Pechami?”, “Pelito?”, “Pilton?”. E eu do outro lado da linha negativamente respondia: “não”, “errou”… no entanto, cansou-se e num tom exausto disse: “me falá-la”. Decidi abrir o bico: “Sou eu Piter”. “Ahamm, Biteriiiiiiii… haaaaa… acora porquê di não falaste que começa com ‘B’”? Eh!

Leia:  “Não sapo. Mashi pofeteou pemesmo! Saiu sangri até... checó toto greice onti, pwé madreco. Mas estava corto, tipo opesso entente?”

“Hahahahaha… enfim, estou em casa sem fazer nada e quero ver-te. Posso vir?” — “Botes.”

⁃ “Ah, estou aqui fora…” — ela, com tom de felicidade grita: “AH MEU TEUS, CHECASTE?”…

Caiu a linha, deve ser por causa da rede. Os últimos dias não têm sido fáceis para as nossas operadoras móveis.

Liodêngua é meu nome, enaltecendo a beleza da mulher macua. Até à próxima!