ZAMBÉZIA: População passa fome nos centros de acomodação

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A equipe do Jornal Txopela escalou final de semana último os distritos de Nicoadala e Namacurra, zonas largamente afectadas pelas chuvas fortes que abalaram a duas semanas, a zona centro do Pais. O nosso jornal buscou compreender a dimensão dos estragos que os fenómenos climatéricos causaram, escalamos centros de reassentamento e conversamos com as vítimas, buscamos entender os números das autoridades governamentais. Ao fim do dia, os cálculos, as imagens captadas e os depoimentos de quem viveu na pele o drama, não deixam dúvidas. Foi uma catástrofe!

Da avenida liberdade, edifício da Afro Media Company, o quartel general que alberga dois órgãos de informação: O Jornal Txopela e a Radio Chuabo FM, partimos as 10 horas numa velocidade media de 60km/h, chegamos ao destino inicial em Namacurra, localidade de Furquia por volta das 14 horas, é daqui que começa a narrativa mais dolorosa das intempéries registadas na província da Zambézia,

Como que a desmentir categoricamente todos os discursos políticos, e toda a farsa engendrada para posicionar Zambézia como uma das zonas menos afectadas e consequentemente, a que menos apoio recebe, seja ele alimentar ou de outra natureza neste período em que todas as atenções estão viradas à Beira, encontramos um cenário desolador.

A nossa primeira fonte conta que a tempestade matou três pessoas nos últimos dias, foram concretamente descargas elétricas que ceifaram a vida dos seus compatriotas. Não sabe quantificar outras perdas por afogamento porque tem “medo de mentir” advoga que não tem dados. A fome essa está estampada em cada rosto desde as crianças menores de 05 anos aos adultos com a idade a roçar aos 80 anos. Neste sábado (23) por golpe de sorte, estão a receber baldes contendo um quilo de açúcar, uns quilos de feijão manteiga, farinha e arroz em quantidade microscópica avaliando pelo agregado familiar de cada um. É a tal dita intervenção do governo.

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No meio da multidão, apoiando-se com o ombro de uma tia sua, está Marta de nome fictício, completamente debilitada, arrasada e faminta. Doente e com serias dificuldades em palavrear frases simples.

Continua na próxima edição