Para quando um Conselho de Ministros em bangala 2 ?

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Como moçambicanos que somos, a resiliência diante de infortúnios e a solidariedade entre nós depois deles tem sido algo sui generis.

Há quem insista em afirmar que a nossa resiliência depois da catástrofe e das consequências nefastas do ciclone IDAI na região centro do país e particularmente na cidade capital de Sofala, Beira, é forçada na medida em que o que aconteceu na Beira é inenarrável e insuportável para qualquer ser humanamente sagaz. É uma opinião a ter em conta. Mas quando escasseiam lágrimas para chorar um ente querido ou quando se perde tudo de material mas mesmo assim a vontade de continuar a viver nunca falta, isto se chama resiliência. O povo da Beira é demasiadamente resiliente. Ode ao povo Beirense, bem-haja.

A par da região centro, Cabo Delgado mais a norte de Moçambique, há dois anos que o povo vive um estado de terror. De região pacífica, passou a ser um centro que merece as nossas atenções por motivos óbvios: o pânico semeado pelos insurgentes, as mortes em consequência desse pânico e a perda de bens por parte de quem sobrevive de migalhas.

Quem fica indiferente aos acontecimentos de Cabo Delgado, a carnificina, o luto e a dor que se transformaram o pão de cada dia das regiões afectadas, é alguém sem alma, um insensível, autentico discípulo de Hitler e Goebels.

Até então não se vislumbra uma solução a curto prazo para pôr cobro as matanças em Cabo Delgado. A culpa muitas vezes tem sido apontada ao inimigo invisível que actua à “revelia” das nossas Forças de Defesa e Segurança. Dizem – se recorrentemente que é difícil perceber a verdadeira identidade do inimigo. Posso concordar, muitas vezes quem tem dado guarida, comida, e até a rota dos vigilantes tem sido o povo que a troco de cifrões ou mesmo sob a justificativa de que é membro familiar, se dá cama, mesa e comida um facínora que a seguir incendeia as casas da população erguida a martelo e escopo, com tanta sofreguidão e tanta austeridade. Num ápice vemos tudo a ir por água abaixo.

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Na Beira, algo até então que parecia uma miragem aconteceu: a reunião do Conselho de Ministros para fazer face aos estragos em consequência do ciclone IDAI. Palmas ao nosso Conselho de Ministros, são exemplos como estes que confortam o povo diante de uma situação catastrófica como foi a devastação causada pelo ciclone IDAI.

Mas se na Beira, o nosso CM acorreu em socorro as vítimas da intempérie, a mesma solidariedade não se verifica há mais de dois anos com o que está em Cabo Delgado. Porque será?

Há dias, foi Bangala 2, algures em Macomia, Cabo Delgado, uma pacata aldeia, um pedaço deste solo pátrio que quase ficou toda ela reduzida a cinzas. Se perguntar não ofende, para quando um Conselho de Ministros em Bangala 2?