Os estúpidos também têm direito à vida

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Não é mistério para ninguém que anda por aí muita gente estúpida. Faz parte da vida e do equilíbrio do Mundo. Ou melhor, a Humanidade não subsistiria se todas as pessoas fossem brilhantes, inteligentes e devotados ao pensamento. Seríamos ingovernáveis, habitaríamos na anarquia, faleceríamos de fome e de frio, porque as tarefas intelectivas sustentam o espírito, mas não o corpo.

O dilema surge quando as pessoas estúpidas chegam a posições de poder. E são tantas… Não apenas no poder que nos dirige, mas especialmente nas actividades que fazem parte do nosso dia-a-dia. O chamado poderzinho. O poderzinho não mata, mas mói. Encosta-nos à parede, tenta rebaixar-nos sem necessidade, sem razão visível, apenas porque sim, apenas para se sentir momentaneamente superior.

Um exemplo de poderzinho é o exercido por certos elementos das forças de autoridade.

O funcionário público estúpido: aquele que nos deixa ficar na fila durante duas horas para depois nos dizer que tínhamos de ter o papel, o carimbo, o impresso, o documento ou o raio que o parta, mas agora só amanhã. Aquele que nos olha com um ar superior e um sorriso maléfico enquanto nos entope com burocracias e exigências, sabendo que não temos outro remédio senão obedecer e esperar o tempo que for preciso. E ainda há o professor estúpido, que descarrega as suas frustrações nos miúdos, o segurança estúpido que nunca pode fazer nada, o porteiro de discoteca, enfim, os exemplos são incontáveis, infelizmente.

Bem sei que os estúpidos também têm direito à vida e a uma carreira profissional, mas não deviam ter direito a estar em posições em que possam deliberadamente prejudicar ou dificultar a vida dos outros. Como se chatear quem lhes aparece pela frente com a sua boçalidade fosse a maneira de se vingarem de uma vida chata e sem perspectiva de melhoras.

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Devia haver uma lei universal, tão definitiva como a lei da gravidade, que proibisse o acesso de pessoas estúpidas a qualquer tipo de poder. Por exemplo, numa candidatura a uma função ou promoção, havia um teste ao nível de estupidez do candidato e quem se revelasse uma merda, simplesmente não poderia ser admitido (por mais cunhas que tivesse ou favores que fizesse). “Muito obrigado pelo seu tempo e pela sua candidatura, mas o teste revelou que você é demasiado estúpido para este lugar. Boa tarde e boa sorte”. E pronto, o estúpido ia à sua vida e o mundo era um lugar melhor. Porque a estupidez humana não tem limites, mas devia ter.