Oportunismo em tempo de intempérie

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O “BlackOut” que se verifica um pouco na zona centro do país com maior epicentro nas terras do Chiveve concretamente na sua cidade capital em consequência do Ciclone IDAI, não semeou apenas luto e dor nas famílias moçambicanas.

Há quem faça das intempéries uma oportunidade para gerar renda. É o imoralismo a imperar na sua forma mais vil de ser.

Teimamos em decretar um estado de emergência mesmo quando os factos e as circunstâncias aconselham – nos a fazê – lo. Mais de mil óbitos que se acredita terem ocorrido (pelo menos a comunicação de S.Excia PR Nyusi à nação feita há dias, o Ciclone provocou aproximadamente mil mortes e muitos outros desaparecidos). Os danos materiais levarão muito tempo para sua especificação e quantificação, isto é uma certeza irrefutável.

As informações postas a circular dão conta do inflacionamento do custo dos bilhetes de transporte aéreo de Maputo a Beira e vice-versa. Fala – se de um valor na ordem de 40.000, 00 meticais.

Uma vela que anteriormente custava 10 meticais passou a custar 50 meticais. Um prato de frango que anteriormente não passava dos 200 meticais chega a custar actualmente 1000 meticais.

Tem sido sempre assim em momentos de catástrofe e de guerra, há quem saí beneficiado pelo sofrimento alheio. Preços solidários, são uma miragem, nesses períodos infelizmente o lema é “cada um por si e Deus para todos”. Os mais carenciados são obviamente os mais prejudicados nessa luta titânica dos aproveitadores do sofrimento alheio.

É neste período que a Associação Moçambicana dos Consumidores (que parece estar num estado de quase hibernação) e o INAE deviam fazer – se presente de forma enérgica de modo a retrair este tipo de comportamentos que desgastam cada vez mais os bolsos de quem mais precisa, não basta que os cintos dos mesmos estejam cheios de furos em sinal de contenção e aperto, com o risco de colocar furos na fivela, devem existir chicos – espertos para sugar o pouco de quem nada tem.

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Em tempo de intempéries, tudo o que se quer é solidariedade e não oportunismo.