O luto nacional que Nyusi teima em não decretar

em DESTAQUES/EDITORIAL por

Passados 5 dias após um dos maiores desastres humanitários do hemisfério sul, a passagem do ciclone IDAI em Moçambique que matou cerca de 100 cidadãos segundo dados oficiais, com a previsão do número roçar os mil. O facto de Filipe Nyusi, Presidente da Republica ainda não ter decretado luto nacional e consecutivamente mandar içar o símbolo da Republica a meia haste, remete-me a seguinte conclusão. Filipe Nyusi e o seu Governo não tem a real noção da situação ou o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades esta omitir os dados do terreno ao Governo.

Porquê a insistência de diversas correntes da sociedade moçambicana para a decretação do luto nacional? Não é mera questão simbólica, ao içar a meia-haste a bandeira em todos os edifícios públicos, há também o detalhe de que todos os festejos organizados por entidades publicas serem cancelados nesse período em respeito as vidas perdidas. Em Moçambique por estas alturas há Autarquias a realizarem carnavais e outro tipo de festividades.

O luto permitirá aos cidadãos de outros quadrantes da nação demonstrar o seu sentimento de pesar e dor, até porque esse movimento já deu inicio com a contribuição de mantimentos para a cidade da Beira. O luto nacional por estas alturas ajudaria também a galvanizar o sentimento de unidade nacional que o governo insistidamente e a longos anos tenta “vender” aos cidadãos.

Do ponto de vista prático, o decreto do luto oficial não altera o funcionamento de nenhuma instituição publica e privada.

Vale questionar ao Presidente Nyusi, qual o numero de mortes que espera confirmar para decretar o luto nacional em Moçambique? se não o faz diga o porquê no mínimo.

Leia:  Fogo nos depósitos de lixo em Quelimane: Fenómeno novo e perigoso