LIBERDADE & INDEPENDÊNCIA

Nyusi: Um presidente insensível

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As pessoas que, desgostosas e decepcionadas, não querem ouvir falar em política, recusam-se a participar de actividades sociais que possam ter finalidade ou cunho políticos, afastam-se de tudo quanto lembre atividades políticas, mesmo tais pessoas, com seu isolamento e sua recusa, estão fazendo política, pois estão deixando que as coisas fiquem como estão e, portanto, que a política existente continue tal qual é. A apatia social é, pois, uma forma passiva de fazer política. – Marilena Chaui

Chega a ser difícil eleger o adjectivo mais adequado para a forma como o presidente de Moçambique, Filipe Nyusi decidiu viajar à Suazilândia (Reino de Eswatini na actual designação oficial) em detrimento da cidade da Beira, centro de Moçambique que foi devastada por um ciclone de grande magnitude que matou, feriu e desalojou muitas famílias.

Pode-se discordar deste pensamento, suportando-se da “grande agenda” do presidente no Reino vizinho e dos ganhos que podem sobrevir no estreitamento das relações diplomáticas. Mas, a historia esta aí e é consultável. Desconsidero vivamente a opção de o PR ter ido à Suazilândia em detrimento da Beira.

Há algo de muito doentio em um sistema de governo que submete a dignidade humana aos caprichos de um homem, seja ele quem for.

Quando se trata das Presidências Abertas, as quais são tidas como gastos irrefletidos do dinheiro público, advogam que o presidente precisa de estar em permanente convívio com a sua população. Precisa de ouvir as multidões e avaliar in loco o batimento das acções do Governo. E nestas circunstancias de morte e desespero de milhares de famílias na Beira senhor Presidente?

Nunca vi um governo que governasse desta maneira, contra as crianças, contra a juventude, contra os idosos, e sobretudo, num Estado democrático, contra os próprios valores e o espírito de unidade nacional e responsabilidades de um PR invocadas pela própria constituição da Republica, lamento.

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O mais grave em si senhor presidente é a insensibilidade em relação à voz da rua e ao sofrimento das pessoas. Isso é muito perigoso em democracia. Assistimos a mesma situação em Cabo Delgado, onde centenas de pessoas morrem nas mãos de insurgentes armados sob o seu olhar impávido e sereno.

E quando um governo se fecha e não escuta a voz da sociedade, isso pode levar a posições extremas de rutura, que nunca se sabem quando começam e como podem acabar.

Enfim… Um presidente insensível para com o seu povo.

Um abraço, de Mussama em Inhassunge

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