Ainda sobre o ciclone idai, urge vigilância.

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Depois do ataque feroz do ciclone IDAI na região centro de Moçambique, sendo a cidade da Beira o rosto visível da fúria, os dias a seguir a fatídica passagem da intempérie tudo que nos aparecia em gesto de retrato dos acontecimentos pareciam estragos fáceis de repor.

Puro engano, volvidos 5 dias depois, a magnitude dos danos começa a mostrar – nos que há pela frente uma longa batalha para recompor a zona centro e a cidade da Beira em particular.

Tudo o que se vê nos canais de televisão nacionais parece omitir conscientemente a transmissão de alguns factos referentes a tragédia que se abateu sobre todos nós. Quando procuramos ver os canais internacionais, os relatos sonoros, os retratos fotográficos e as reportagens mostram uma tragédia sem precedentes em consequência do ciclone IDAI. Levará muito tempo para reconstruir a cidade da Beira, muito tempo para sarar as feridas e muito mais tempo para que as famílias se refaçam do luto semeado em consequência do Ciclone IDAI.

Já escrevi que não bastam as nossas orações, porque mais do que orações, os nossos compatriotas carecem de viveres, de vestuário, de material de construção para reerguerem – se das profundas cinzas em que se encontram.

Escrevi igualmente que é preciso demover oportunistas, para que não façam das intempéries, oportunidade para enriquecer a custa do sofrimento alheio.

Nesta componente de oportunistas é preciso ficar de olho naqueles que fazem da tragédia momento para pilhar bens alheios. Já se fala de homens que na calada da noite e com recurso à catanas vão se fazendo aos armazéns, as residências para subtrair violentamente bens, nalgumas vezes são residências de quem perdeu quase tudo. Tem sido assim, no meio das tragédias há quem propositadamente se finja de vítima para cometer crimes contra a propriedade. Nas manifestações de Fevereiro e Setembro de 2010 em Maputo, vimos homens que fazendo – se passar de manifestantes, pilhavam armazéns roubando produtos de primeira necessidade o que contrastava com o que era o caderno reivindicativo dos manifestantes. Na Beira também situações do género já começaram a ser vivenciadas. Não importa o luto e a dor, não há moral que resista quando a fome aperta, só que neste caso, não é propriamente a fome, é o espírito de salteador de quem sempre viveu do roubo que encontra na tragédia uma oportunidade para levar a cabo as suas actividades criminosas, a tragédia é um campo fértil para pôr em prática o seu “modus vivendi”. Por isso sejamos vigilantes.

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Mas mais do que a vigilância contra os que fingindo – se de vitimas do ciclone IDAI e vão protagonizando roubos ou que sendo agentes comerciais vão especulando os preços, urge sermos vigilantes no destino que forem dados os produtos recolhidos em gesto de solidariedade para as vitimas do ciclone.

Estão em curso campanhas de recolha de donativos para as vítimas do ciclone, é preciso que estes donativos cheguem à quem de direito. Parece que o enriquecimento através de esquemas ilícitos mormente o roubo estão no nosso ADN, aqui nem a moral demove – nos se o intuito for o locupletamento alheio em prejuízo de quem realmente carece de ajuda.

A nossa memória ainda está fresca e nos permite recordar com certa repugnância quando um quadro sénior do Instituto Nacional de Gestão das Calamidades (INGC) foi conduzido ao banco dos réus por ter subtraído verbas e outros donativos para fazer face as calamidades. Neste caso do ciclone IDAI não será diferente, há quem esteja a traçar esquemas para desviar o apoio destinado as vítimas por isso urge que todos sejamos vigilantes para que situações de triste memoria como a condenação do gestor sénior do INGC por desvio de verbas e de donativos para as vítimas das calamidades não se repitam. Vale a pena prevenir do que remediar.

A decretação de Estado de Emergência e de luto nacional durante três dias, é uma decisão acertada se tivermos em conta a magnitude dos danos materiais e o número de óbitos causados pelo ciclone IDAI.

Urge vigilância.