O uso politico das forças policiais: Uma vergonha monumental

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A PRM oferece espetáculos gratuitos de violência em Quelimane. Num período de 48 horas a PRM em Quelimane foi autora de dois espetáculos gratuitos de violência e pontapeamento de liberdades fundamentais dos cidadãos e profissionais da comunicação social.

Nesta segunda-feira, um contingente policial que alegou estar a obedecer “ordens superiores” desferiu golpes violentos contra um total de 14 cadeirantes, a PRM munida de armas AK47 e cassetetes em viaturas pirilampo agrediu fisicamente um total de 14 pessoas com dificuldades de locomoção e que suportam se de cadeiras de roda para locomover se de um ponto ao outro.  As vitimas participavam numa maratona denominada “Manuel de Araújo” cujo objectivo foi de apresentar repulsa publica contra a decisão do Conselho de Ministros que cassou o anterior mandato de Manuel de Araújo na Presidência do Conselho Autárquico de Quelimane.

Nesta terça-feira (05) faltando dois dias para a tomada de posse de Manuel de Araújo, presidente eleito pelo partido Renamo. Organizações da Sociedade Civil e cidadãos anónimos saíram a rua com dísticos para repudiar as tentativas de coação da “vontade dos munícipes de Quelimane”, uma vez mais a força policial de forma cobarde fez- se ao local onde prendeu mais de 15 pessoas e espancou um jornalista que se encontrava a cobrir a marcha sob alegação de que o evento era ilegal.

Dois episódios com a mesma pretensão, os munícipes estão indignados, as razoes podem ser analisadas posteriormente, a verdade é que Quelimane não tolerará outro autarca que não seja Manuel de Araújo, em 15 dias em que Domingos Albuquerque, edil interino esteve em frente do Conselho, os comerciantes dos mercados municipais deixaram de pagar as receitas por considerarem um governo ilegítimo, entre outras acções que embora ilegítimas  perante a postura municipal, não deixaram de ter o cunho de um protesto que pode agudizar.

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A PRM ao agir nestes termos só piora a situação, oferece o combustível para que os munícipes possam partir para outro tipo de posições, possivelmente mais radicais e os avisos não faltaram ao longo destas ultimas semanas, nos programas de Rádio da Chuabo FM por exemplo, os ouvintes exprimem a sua posição e há riscos de termos uma cidade chamuscada entre protestos e as acções irracionais da policia. Aos senhores de “ordens superiores” é altura de chamarmos a razão e colocar um ponto final a estas acções  que podem deixar fissuras assinaláveis na nossa democracia.