MOÇAMBIQUE: 43% de crianças sofrem com desnutrição crónica

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Um total de quarenta e três por cento das crianças moçambicanas, sofrem de desnutrição crónica devido a insegurança alimentar e educação nutricional da maior parte das famílias em Moçambique.

A informação foi tornada pública esta quarta-feira (27) em Quelimane pela Especialista de Segurança Alimentar e Nutricional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Ruth Ayoabe, no Seminário Provincial de Partilha de experiências e Lições Aprendidas na componente “Educação Nutricional e Comunicação para Mudança Social e de Comportamento Integrado com Hortas Caseiras”.

Segundo Ruth Ayoabe, as grandes desigualdades geográficas em termos de pobreza, desenvolvimento humano e bem-estar da criança persistem, sendo que quase todos os indicadores são piores nas zonas rurais e nas regiões norte e centro de Moçambique, comparativamente as zonas urbanas e região sul. Adverte ainda que a situação prejudica o desenvolvimento do capital humano no país, o desenvolvimento amplo e a redução da pobreza a longo prazo.

“Devemos ter muitas acções integradas de segurança alimentar para as mães, crianças e outros grupos vulneráveis. Além disso, o País deve ter boas políticas para prevenir a desnutrição crónica”- afirmou Ruth Ayoabe, sublinhando ser necessário um trabalho de base nas comunidades envolvendo os sectores de Saúde, Agricultura, Água e Saneamento e outros para eliminar o mal que tem vindo a ceifar vidas humanas no País.

Por seu turno, o Coordenador Regional da Zona Centro da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) Flávio Zaqueu, disse que a Organização pretende alcançar a Segurança Alimentar para todos, e garantir que as pessoas tenham acesso regular a alimentos de boa qualidade, permitindo-lhes levar uma vida activa e saudável.

Para prevenir a desnutrição crónica, a FAO pretende melhorar a disponibilidade de sementes de boa qualidade, acesso a insumos, armazenamento e o manuseamento pós-colheita no nível familiar, melhorar o acesso a vacinação das aves contra doença de Newcastle e a diversificação da dieta e o conhecimento de boas práticas nutricionais.

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“O programa da FAO no país centra-se em três áreas prioritárias, com destaque a melhoria de cadeias de valor de produtos seleccionados para a segurança alimentar e nutricional, gestão transparente dos recursos naturais e o aumento da resiliência dos meios de subsistência das comunidades às mudanças climáticas”-frisou.

Flávio Zaqueu, disse que os fracos resultados na prevenção da desnutrição crónica devem-se a actuação incomplementar dos sectores envolvidos.