“Estamos num país ditatorial”- diz Manuel de Araújo

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O Presidente cessante do Conselho Municipal da Cidade de Quelimane, Manuel de Araújo, afirma que Moçambique encontra-se a viver numa ditadura dado que a lei defende um certo grupo de pessoas, prejudicando a maioria.

Manuel de Araújo, falava na terça-feira finda em Quelimane num comício organizado por membros e simpatizantes da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), depois de uma marcha alusiva a saudação do Presidente daquele partido, eleito no último Congresso. A marcha serviu ainda como protesto sobre a lei que decretou a perda de mandato do mesmo.

Araújo entende que um país onde não é considerado o direito ao contraditório, liberdade de expressão, e de manifestação não é permitida, coloca em risco a própria democracia.

“Estamos a exercer o nosso direito consagrado na lei mãe. Por isso meus irmãos, não tenhamos medo porque nós não provocamos ninguém mas sim, estamos a exercer o nosso direito. Um país onde você não pode dar a sua opinião, não pode marchar e não pode reunir, é um país democrático? É um país ditatorial! Nós já abolimos a ditadura no nosso País”-afirmou.

Manuel de Araújo, disse ainda que a Resistência Nacional Moçambicana vai continuar a trabalhar para que “os ladrões” não continuem a subverter a vontade soberana dos munícipes em Moçambique.

Num outro desenvolvimento, o Presidente cessante afirma que a Procuradoria-Geral da República de Moçambique é doentia por exigir que Manuel Chang, que se encontra detido desde o dia 29 de Dezembro do ano transacto na África do Sul a pedido dos Estados Unidos de América, seja julgado no país uma vez que existem um total de 18 pessoas implicadas que se encontram dentro do país, sem reacção adversa das autoridades de tutela.

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A oposição a extradição deriva do facto de Moçambique ter um histórico de impunidade, em particular em casos que envolve altas individualidades pertencentes ao partido no poder (FRELIMO).

“Antes bastava ter uma pequena enxaqueca iam tratar em Durban, Pretória e outros países de fora, mas agora, ficam escondidos com medo de sair. Para além do Chang, tem outros 18 ladrões dentro do país mas querem aquele que foi pegue em outro país porquê?”-questionou.

Questionado sobre a sua tomada de posse em Fevereiro próximo que pode estar comprometida, Manuel de Araújo diz que, se o País é um estado de direito e que vai tomar posse. Afirma que o que se encontra em causa não é a sua pessoa mas sim o julgamento da independência do sistema judicial.