LIBERDADE & INDEPENDÊNCIA

A capoeira do jovem Sima Yangu

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Por: Benone Mateus

Era uma vez, no tempo em que as galinhas falavam e faziam de tudo quanto os humanos, fazem actualmente. No entanto, os Infíces e Swíkiros segredaram-me que nas vésperas de verão, o jovem Sima Yangu, viu-se obrigado a desfazer o matrimónio com a senhora Renayami, uma idosa que tudo fez para conhecer a caneta e chinelos, segundo ouviram contar o falecido pai da moça, nas vésperas de comemoração dos vinte anos de Paz, quando faziam um périplo pelo país, e parou na terra dos Machuabos para um repouso. Foi daí que puderam ouvir do desabafo.

Mas alguns jovens na’ltura, concordaram com a decisão de Sima Yangu, defendendo que, não merecia aquela mulher, porque ela, tinha um passado que não ia de acordo com os anseios de um jovem que na casa dos quarenta tinha nada.

Com tantos apologistas que surgiram, o jovem ia se reconciliando consigo mesmo e digerindo a separação, mas, ia pensando a cada noite como iria sustentar a sua família. Foi daí, que nasce a ideia de criar aves, concretamente as galinhas. Em pouco tempo, a sua capoeira estava cheia de galinhas e galos, onde a maioria saiam da vizinhança para viver na nova capoeira, porque no princípio, havia muita comida, e as promessas eram tantas, que até alguns galos, ficaram esperançados de, um dia ter a oportunidade ou a chance de comer o milho ou a farinha do milho acompanhado com caril de cambuma (codornize) ou ecuali (perdiz).

Alguns galos até provaram do prato, mas o jovem Sima Yangu, ficava irritadíssimo quando às galinhas daquela capoeira comiam e não davam a oportunidade de ser o primeiro a saborear. Quase que rolou um boato, que nada, o jovem comprou alguns cães para amedrontar, infelizmente se deu mal, és que aquele galo, defrontou-os, dolorosamente, aquela ave foi morta a sangue frio.

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Aquele episódio, enfureceu os companheiros da ave e, ficaram com medo. Pela ironia do destino, Sima Yangu, não sabia que com aquela atitude, seria o prenúncio dum fim trágico e, de ser considerado produtor e gestor duma grande iniciativa na criação de aves, que serviria de esperança e ainda, contribuiria na dieta alimentar dos moradores daquela franja do régulo Mussa-al-mbik.

Dolorosamente, na capoeira já não tinha mais ambiente de convívio, era normal, todos os dias quando as galinhas se faziam ao repouso, ouvir-se muito barrulho, como que uma ratazana se fizesse passar ao redor. Um sinal que a paz, igualdade que tanto no princípio se defendia, já não era notável.

A cada nascer do sol, não era notório o canto do galo. O habitual ou curioso e anormal ouvir-se no regulado, que a galinha que fugia na casa vizinha, já voltou a sua capoeira… estas notícias, já eram recorrentes na comunidade. Onde até crianças ou mesmo adultos, já sabiam que a capoeira do jovem Sima Yangu, que tanto gabava-se de ter muitas galinhas e galos desertores, que moviam muitas aves das capoeiras alheias, hoje estão de volta as suas capoeiras de origem. E a capoeira do Sima Yangu “yamala/yatha”, ouvia-se pelas redondezas das comunidades do regulado.

Muitos o defendiam, outros rogavam-no pragas que a capoeira sucumbisse. Muitos são os que ficavam estressado pelo rumo dos acontecimentos. Outros ainda, criticavam a maneira de como o jovem que por um tempo era considerado alternativa para muitos, no sector de criação de ilusões aos seus pares, por um lado, deixou-se levar pelo orgulho e por outro, deixou falir uma empreitada que tinha muita aceitação, diga-se.

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O tempo ia passando, as esperanças iam sendo goradas; tudo indicava que era o prenúncio de uma peste que assolara a capoeira, porque até as galinhas mais próximas se distanciaram do galo máximo da capoeira. Num espírito de prepotência, liderança supérflua no fracasso, movido de orgulho, instou e determinou que todas as aves desertoras ou se quiserdes, arrependidas e as que regressaram ao aprisco, deveriam ser perseguidas e caçadas à todo custo.

O plano foi executado com mestria, porque o Mfumo ou rei da zona fazia parte da sua prole, uns foram perseguidos e sem direito de cantar nem tão pouco voar, condenados por abrir à boca e dizer basta das atrocidades da capoeira, outros resistiram pela pujança e por ser macaco velho, como sói dizer-se na gíria popular na comunidade daquela franja.

Entretanto, uns resistiam, aqueloutros ião sendo depenados e tristes, outros alegres, porque o verão estava próximo, e muitos abriam os seus campos de cultivo, reflectindo, se continuariam na capoeira esperando o raiar do sol, ou no campo para cultivar o milho e festejar ao som do batuque ou domesticar a perdiz e sentir avidez, astucia e os vôos repentinos e inesperados.

Não se sabe ao certo, se os depenados resistirão o frio ou calor formidável que ainda Mussa-al-mbik promete; o tempo dirá, se a capoeira resistira ou é o prenúncio de uma falência propositada e mal gerida pelo proprietário da empreitada. No final, eu falei para mim, haver vamos…

Obs: Qualquer semelhança a realidade é mera conscidência!

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