Votar pra quê?

em AUTÁRQUICAS 2018/DESTAQUES/POLITICA por

Por Virgílio Dêngua

Sei que o título do texto não parece incentivar aos meus concidadãos a exercer o seu direito, o de eleger e/ou ser eleito para a condução do país rumo à prosperidade. Porém, importa-me tecer considerações sobre este nobre acto. “O povo precisa entender que os políticos são funcionários públicos, parar de adorá-los como se fossem deuses e passar a fiscalizá-los, pois assim teremos uma real democracia”, Barak Obama – ex-Presidente do Estados Unidos da América (EUA). Eis o motivo que me leva a redigir o presente texto, pelo que espero que não seja confundido como um meio de desinformação.

Na próxima Quarta-feira (10 de Outubro de 2018), jovens, adultos e idosos, classe baixa, média e alta, desempregados e empregados irão às mesas de voto para eleger algum individuo para que seja presidente da circunscrição municipal onde residem, ademais os assentos nas assembleias municipais. Mas o que, ao invés de a preocupação ser “assumir a cor partidária para garantir o sustento familiar, tornando os eleitos em deuses”, devia sim ser objecto de análise, o projecto de governação ou o Manifesto Eleitoral.

Nos dias que correm é possível ver jovens ovacionando os candidatos a edis, sem, no entanto, procurar saber o que de novo ele pretenderá trazer para tirá-lo do sufoco em que se encontra. Falo das políticas de Fomento de Habitação, Emprego e Empregabilidade, Financiamento de Projectos para Geração de Rendas, Mitigação da Pobreza, Melhoria da Qualidade de Ensino, Melhoria da Qualidade dos Serviços prestados pelas Empresas Estatais, Saúde (…).

Daí a pergunta: Votar pra quê? Importa-me que os cidadãos percebam a real importância de entregar o município nas mãos de alguém que traz consigo planos e estratégias bem estudadas e concretas – ao invés de pautar pela ignorância através do espírito de sobrevivência, para posteriormente reclamar perante às rádios e jornais da praça.

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Permita-me, caro leitor, entrar no universo Filosófico para entender os ideais de Platão (427 – 347 a.c), sobre a formação da cidade, um Estado governado por sábios – pode-se ler na sua obra “República”, cujo objecto principal era as diferentes formas de governo e as virtudes dos seus governantes: a sabedoria, coragem, temperança e justiça.

Podemos, também, referenciar Voltaire (Paris, 1694 – 1778) – Cândido ou Optimismo, cuja ideia principal era a liberdade de expressão, religião e comércio – incluindo, aqui, Evelyn Hall com sua frase famosa: “posso não concordar com nenhuma palavra que você disse, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”.

Chamo à consciência do cidadão em idade eleitoral para que saiba realmente escolher o Homem certo, para que não seja necessário lembrar de Platão nos seguintes termos: “O castigo dos bons que não fazem política é serem governados pelos maus”. Ademais, sustenta Friendrich Nietzsche que “um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos. Surge aqui, caro leitor, uma necessidade de tomar decisão inteligentemente correcta: fazer um voto consciente e maduro.

Enfim, vamos todos votar, pois “a penalização por você não participar na política é acabar sendo governado pelos seus inferiores”, sem esquecer Sócrates Di Lima que defende que “por questões político-partidárias, as pessoas perdem a honra, os amigos, a capacidade de ser íntegro e viver uma vida comum na sua própria sociedade.

Obrigado pela atenção dispensada, até lá…