LIBERDADE & INDEPENDÊNCIA

Porque a FRELIMO venceu as eleições autárquicas em Milange

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Por: Lúnede Parrote

O período eleitoral é sem duvidas a época em que todos partidos políticos fervilham com o objectivo de namorar o eleitor. Uns o fazem pelas suas realizações, outros o fazem atacando os outros, e outros o fazem propalando sonhos irrealizáveis.

Nas últimas eleições autárquicas havidas cá em Milange, o cenário não foi diferente. Os munícipes tiveram a oportunidade de conviver com os três, e no final tomaram uma decisão e de entre eles, um deles saiu vencedor, nesse caso, a FRELIMO. Mas porque a FRELIMO venceu as eleições autárquicas em Milange? Quais foram os erros da RENAMO e os pecados do MDM?

Os triunfos da FRELIMO

Não restam dúvidas que o partido FRELIMO competiu em pé de desigualdade com os outros candidatos nessas eleições, pelo simples facto de estar no poder, esteve muitos passos a frente dos outros, bastava para tal apreciar a campanha e os que lá estavam e de como estavam trajados. A vitoria da FRELIMO sem dúvidas, teve maior contributo dos professores, que não só aderiam em massa no processo de campanha, bem como no dia da votação. A zona urbana e os munícipes mais informados, sem duvidas, olharam para a FRELIMO como alternativa, não só pela forma organizada da campanha, mas também pela objetividade e possibilidade de execução do seu manifesto e da experiência política do seu cabeça de lista. Foi notória a segurança e firmeza do cabeça de lista, soube ser e estar em toda campanha.

 

Os erros da RENAMO

A RENAMO já deixou bem claro que entra na corrida eleitoral porque quer tirar a FRELIMO do poder, e isso foi notório em todos 12 dias de caça ao voto. A RENAMO passou mais tempo combatendo a FRELIMO e a sua governação, que falando do seu projecto de governação. Das poucas vezes que procurou falar sobre o seu projecto de governação, partiu sempre da governação da FRELIMO, dos erros da FRELIMO. O que provavelmente fez com que os munícipes não os vissem como alternativa.

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Provavelmente os munícipes quisessem se distanciar dessas querelas antigas. A presença excessiva do delegado político na campanha, acabou ofuscando a figura do cabeça de lista, em algumas vezes até se chegou a pensar que era ele o cabeça de lista, a apatia do cabeça de lista, jogou um papel muito negativo, todas as vezes que falou, não conseguiu deixar claro sobre quais realmente eram os pilares da governação da RENAMO, não demonstrava muita firmeza e segurança.

 

Os pecados do MDM

O ambiente turvo que se vive no MDM em todo o país, acabou afetando a imagem do MDM também a nível de da vila autárquica de Milange, levando o MDM a um total descrédito. Mas também o facto de a logística do partido estar mais focada nas cidades da Beira, Quelimane, Gurúè e Nampula, acabou enfraquecendo as coisas na terra do Tumbine.

Era visível a fraca afluência em toda campanha e a falta de uma estratégia e comunicação com os munícipes, tendo em conta o regresso da RENAMO e os triunfos da FRELIMO. A estratégia e a experiência do cabeça de lista foi acertada, mas a mensagem não.

Havia mais utopias e sonhos que planos possíveis de realizar, tendo em conta o contexto actual do país, não basta encher de promessas o eleitor, é preciso certificar-se que é possível materializa-los. Os números que o partido obteve nessas eleições, revelam que a mensagem não foi bem-recebida e que o partido não tem ainda bases sólidas.

Em suma, é caso para dizer: a oposição precisa se organizar, precisa trazer políticas alternativas de governação, não é tempo de ficar combatendo a FRELIMO.

 

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