LIBERDADE & INDEPENDÊNCIA

A receita da avó Miquelina (2)

em CRÓNICA/DESTAQUES/OPINIÃO por

Por Benone Mateus

Depois da conversa tidos dias anteriores, o jovem fez tudo como tinha sido recomendado pelo seu colega. Depois do banho, fez-se à mesa, para degustar das Rizomas e batata-doce, prato predileto do matabicho ou se quiserdes do pequeno-almoço do Alfalinho. Tudo confeccionado, segundo pedirá à sua esposa.

O que a esposa admirou foi a roupa e creme incaracterístico e não habitual que o seu marido esfregou-se, com um olhar da Nazimbire, como quem está para dizer, não estou a entender o que esta acontecer contigo! O esposo, simplesmente sorria. A esposa ia digerindo para que não originasse algum tipo de rixa, porque durante meses de conflitos no casal, aquela manhã, foi a mais bela e diferente, diga-se.

Os filhos junto da mãe de boca aberta ficaram, mas não podia proferir alguma palavra, nem tão pouco podiam bocejar, tal como tossir, porque temia que o chefe da casa, acordasse o espírito de leão que naquela manhã estava sonolenta.

Alfalinho, voltou a casa da anciã, vestido de forma diferente como da primeira vez. Com um cheiro que o incomodava, o perfume de coco queimado, que pintava e dava beleza o seu cabelo, e óleo retirado do coco ralado, um ósculo, que no quintal da avó Miquelina, era um simbolismo a valorização e exaltação das suas origens. Foi recebido pelo neto, que não quis o questionar qual era a preocupação do homem que exalava um cheiro habitual dos “acuiri[1]” e espíritos dos antepassados.

Como já sabia os motivos da visita, Madoba o encaminhou para trás da cabana que a curandeira gostava de receber os seus pacientes. Ela com o seu pano vermelho circundado a cabeça (simbolizando conhecimento e poder) e um pote de raízes fasciculadas que curava doenças que a medicina legal e pesquisa científica sobre saúde, ainda procura  respostas.

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Quando o paciente preparava a garganta para cuspir as palavras de saudação, a velha deu lhe as boas vindas. Proferiu ainda palavras de conforto e confiança. O seu problema tem dias contados. Deu um banho-maria de ervas esverdeadas, uns chicotes com uma cauda de hiena e um líquido meio estranho ao olhar, com sabor de mel ao seu paladar. Voltou a casa. Cenário já era diferente, o brilho e o amor voltou novamente no lar. A cada minuto, segundo e milésimo, ia aproveitando os dias que a makhumbaofuscava o brilho do cupido, que tinha sido cegado e deixado em causa o sabor deste no seio do casal.

O círculo continuava a girar como de moda se tratasse, as meninas e mulheres solteiras não estavam de brincadeira, iam fazendo e desfazendo relacionamentos dos famosos blindados, até dos lares ditos de Deus não escaparam da epidemia, que virou moda.

Sem vergonha as moças se gabavam nas praças públicas, nós pudemos virar as vossas cabeças. Essa força e poder temos (uma linguagem que as mulheres usam, para dizer sois o nosso ponto fraco) se o seu casamento está bem, é porque não queremos se meter contigo. O que as mulheres não sabiam, os espertos já tinha vacinado a dose, receitado pela famosa avó Miquelina, a curandeira e feiticeira da zona.

[1]Feiticeiros

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