LIBERDADE & INDEPENDÊNCIA

Sociedade civil e as dinâmicas de violência em Inhassunge

em DESTAQUES/OPINIÃO por

Jeremias Messias

jeremias.messias19@gmail.com

 O uso da violência como recurso para resolver conflitos políticos e a vitimização das populações através de usurpação de terras na Zambézia não terminaram. A mina de Gilé “Marropino” é exemplo  táxico,  ficou paralisada quase dois anos por causa do vandalismo  estrutural os instrumentalizados homens da FIR pautaram pela matança para repor a designada ordem pública e a população insurgiu-se provocando uma paralisia total das operações mineiras de “tentalit”.

As narrativas de reposição de ordem perpassam por uma farsa para incansavelmente “comerem o capim tenro e fresco” e os recursos naturais somente beneficiam ao “stablishment”.

O distrito de Inhassunge tem sido palco de protestos da população, a FIR bateu a população e arrancou telefones. fonte: RM 30.07.2018.

 A especificidade da democracia pluralista moderna (…) não reside na ausência de dominação e de violência, mas no estabelecimento de um conjunto de instituições através das quais elas podem ser limitadas e contestadas (Mouffe, 2005: 22).

É sabido, todavia, que «regras formais podem ser facilmente alteradas enquanto questão de política pública; as regras culturais não podem, e, por muito que se alterem ao longo do tempo, é muito mais difícil controlar o seu desenvolvimento» (Fukuyama, 2005: 39).

O uso e aproveitamento das terras sagradas herdadas pelos manifestantes pode estar por detrás dos supostos desacatos a dita autoridade.

Face as irregularidades de usurpação de terras e a carnificina a mistura com vandalismo no teatro das operações de “ordem” e “desordem” na reposição da lei e ordem pública transmitiram o descontentamento popular cujo reflexo sentiu-me na Zambézia toda.

Este projecto político alienou segmentos significativos da população moçambicana, e alguns deles acabaram por apoiar o movimento Renamo que então surgiu (Geffray, 1990). Por outro lado, a fim de lidar com as múltiplas heranças da violência cometida durante o regime colonial e a guerra da independência, a Frelimo elaborou um programa oficial para lidar com os restos do passado colonial português.

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Pese embora, atrocidades cometidas a sociedade civil somente pautou pelo silêncio, o silêncio pode ser bom para o negócio, por que é a alma do negócio.

REFERÊNCIAS

Fukuyama, F. (2005). State Building: Governance and World Order in the Twenty-First Century. London: Profile Books.

Geffray, C. (1990). La Cause des Armes au Mozambique. Paris: Editions Karthala. Goldschmidt, W. (1986). Why men fight. Anthropology Today, 2(1), 12-15. Hanlon, J. (2000).

Mouffe, C. (2005). The Democratic Paradox. London: Verso. Ncomo, B. (2003).

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