PISCINA MUNICIPAL DE MILANGE: Um exemplo de má aplicação do dinheiro do erário público

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Lunede.parrote@jornaltxopela.com

Fotografia: Jornal Txopela

Para uma melhor compreensão do assunto, vamos em parte, a começar pela definição do termo “erário”.

Erário é uma palavra que quer dizer dinheiro administrado pelo governo; o erário público pode ser considerado “tesouro público”, que é um dos elementos administrados e apresentados nas mãos do governo para “usá-lo” para acções que colaborem para o “bem-estar” da sociedade, isto é, o erário público, só deve ser usado se o fim último é melhorar a vida dos seus beneficiários, nesse caso, o investimento feito na piscina municipal deveria servir o propósito acima mencionado. Mas afinal, qual é o lugar que esse micro empreendimento em importância e macro em orçamento ocupa na vida dos munícipes?

A resposta é clara, nenhum por varias razões, desde culturais, climáticas, económicas até as de localização. Mas então, num município onde falta quase tudo, desde uma biblioteca municipal, meios circulantes para a gestão de resíduos sólidos, para a polícia municipal, fontes de água, vias transitáveis, iluminação pública, porque a piscina foi escolhida? Mas o que inviabilizou o projecto? Vamos em parte.

Razões de escolha

Uma coisa é certa, o CMVM precisava fazer alguma coisa que se tornasse referência, distraísse ou marcasse os munícipes, pessoalmente, fico com alguma coisa que distraísse (no sentido de desviar a atenção) dos munícipes, depois do fracasso do parque infantil, a meio de tanta urgência, não se fez um estudo muito profundo sobre a viabilidade do projecto e muito menos se olhou para as prioridades, mas havia dinheiro e decidiu-se avançar.

Razões do fracasso

 

Cultura

Ir a piscina, é uma questão cultural, e não se pode esperar isso de um povo que ainda não se familiarizou com isso. Ir a piscina e ficar de biquíni é algo estranho para a cultura dos marenges, que usam os seus finais de semana para coisas mais relevantes que se entreter numa piscina.

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Clima

É sabido que o distrito é influenciado pelo clima do tipo tropical chuvoso de savana onde as precipitações médias anuais são cima de 800mm, chegando na maioria dos casos a 1.200 ou mesmo 1.40mm, concentrando-se no período compreendido de Novembro a Março e com uma temperatura média anual que varia entre 24 a 26 graus celsius, tornando inviável o sucesso de uma piscina.

Economia

É impensável que em plena crise e a meio de uma população que vive abaixo de uma extrema pobreza tornem possível o sucesso de projecto dessa natureza. O único bar instalado lá, acabou indo a falência por conta da escassez de clientes.

Localização

A localização da piscina, esteve na origem do fracasso do projecto também. Além de estar situada na zona VIP, o que já seleciona a clientela, a piscina localiza-se na zona alta do distrito. Ou seja, é um autêntico martírio deslocar-se para lá sem meio de transporte a motor, a pé tornasse sem dúvida alpinismo no período diurno, e arriscado no período de noite.