Inhassungenses mantém o Estado de cócoras: “Juramos morrer aqui onde nascemos”

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O PESADELO DOS POBRES (03)

A comunidade de Olinda continua a bater com os pés juntos ao chão de que não vai abandonar aquela circunscrição, para dar lugar ao projecto de exploração de areias pesadas. Na última reunião de alto nível com o Governo provincial, os populares abandonaram o local do encontro deixando o director de recursos minerais e energia, Almeida Manhiça à negociar com o vento.     

 Numa situação de extremo medo e desconforto, enclausurados e sob à atenta vigia do pelotão da unidade de elite das forças policiais da República de Moçambique aquarteladas naquela circunscrição geográfica, no extremo sul da província central da Zambézia, os moradores da pacata povoação de Olinda continuam a recusar àretirada compulsiva das suas terras e a expropriação, uma faculdade que o Estado poderá activar nos próximos tempos confidenciou ao Jornal Txopela uma fonte governamental.  

A África Great Wall Min­ing Development Company, Limitada a empresa que deverá explorar o mineiro em Inhassunge, não deixa saudades em Chinde, especificamente em Deia onde esta em fase terminal do processo de exploração do recurso natural. A população ouvida pelo Jornal Txopela em Deia refere que está a enfrentar grossos problemas de água potável e terra principalmente para a prática da agricultura de subsistência. Olinda teme o mesmo destino funesto.

Pode ser descrita como uma situação crítica e sensível que opõe o Governo da Zambézia e os moradores do povoado de Olinda em Inhassunge, populares estão a colocar o Governo em sentido e de cócoras, perante a sua irredutibilidade frente as mortes e mutilações perpetradas pela UIR— uma unidade de elite da PRM. Para já somam-se varias violações dos direitos humanos chancelados pelo Governo de Abdul Razak cuja o silêncio sobre o assunto é amplamente criticado ao nível da opinião pública local.

Num encontro havido recentemente entre o Governo e a população — o primeiro de alto nível — os moradores apresentaram as suas posições sobre a iniciativa.

Uma equipe multissetorial do Governo da Zambézia deslocou-se à Inhassunge para negociar e sensibilizar à população a aceitar a execução do projecto. Na sua mensagem, os moradores fazem apelos ao Governo para que respeite a vida humana e os valores prescritos no documento de constituição da nação moçambicana. “Desde 2012 à 2018, negamos e continuamos a negar os chineses que oprimem e querem nos oprimir na nossa própria terra onde nascemos e vivemos mais de 100 anos” — advoga.

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A mensagem dos moradores de Olinda é mais incisiva, aponta questões de incumprimento das regras elementares para o reassentamento da população e violações dos direitos humanos por parte do Governo da Zambézia.

“Não foram seguidos todos os passos legais para este procedimento, não se fez nenhuma consulta comunitária” — A imposição das partes interessadas [Governo e a mineradora] está na origem do problema que não se vislumbra solução possível para já, enquanto isso o Governo declara que vai continuar a insistir em negociações até que encontre um ponto de equilíbrio.

As atrocidades registadas a poucas semanas executadas pela UIR mereceram menção no discurso daquela comunidade “embora com disparos de armas num momento de paz efectiva, desmilitarização e entrega de armas pela Renamo, Olinda é zona de quartel e somos vítimas de mortes, somos feridos e há captura de líderes comunitários e a população dorme no mato”— lamentam.

Antes do término previsto da reunião com o Governo a população aborrecida retirou-se do local, não deixando espaço para mais argumentos, mas antes deixou a colocação final “podem trazer bombardeiros, juramos morrer aqui, onde nascemos, crescemos e geramos os nossos filhos” para depois acrescentar “Depois da colonização Portuguesa, veio à colonização chinesa?”. — Uma ultima questão que ficou por responder.

Governo namora Inhassungenses com propostas de luxo

O Governo da Zambézia, representado pela direcção provincial de recursos minerais e energia reuniu-se recentemente com à população do povoado de Olinda no distrito costeiro de Inhassunge, local onde a empresa de capitais chineses, África Great Wall Min­ing Development Company, Limitadadeverá explorar as areias pesadas.

Almeida Manhiça, Director Provincial do sector que superintende à gestão de recursos minerais e energia ao nível da província central da Zambézia em discurso de meia hora de tempo explicou aos populares as vantagens da execução do projecto naquela circunscrição geográfica. Os moradores de Olinda recusam-se à ceder as suas terras a favor da companhia para exploração de areias pesadas, este facto desencadeou uma onda de reações que levaram ao assassinato de um homem, mutilação de dedos à uma criança e vários feridos numa intervenção do governo através da força de elite da Policia moçambicana — UIR que é condenada pelo uso excessivo da força e violação dos direitos humanos. Este é o primeiro encontro de alto nível com a população.

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O governante falou da importância do projecto para o Estado moçambicano “o Estado ganha através dos impostos que a empresa paga, esses impostos possibilitam que o governo construa infraestruturas como: Escolas, Hospitais, Estradas para além de pagar salários aos funcionários de Estado”.

Almeida Manhiça garantiu aos moradores de Olinda que à empresa África Great Wall Min­ing Development Company, Limitada ao explorar os recursos existentes vai cumprir com as normas e procedimentos estabelecidos pela lei moçambicana no que concerne as compensações à comunidade, reassentamento entre outros benefícios directos estabelecidos no acordo entre o Governo e a companhia “Algumas pessoas que vivem na zona terão emprego, se terão emprego naturalmente que terão salários”— o governo num apelo à população para ponderar a sua posição de não abandonar a área extractiva.