Marromeu recebe 24 leões para o repovoamento da espécie

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A Coutada 11/ZDS-Zambeze Delta Safaris e a Coutada 10/Marromeu Safaris acolheram 24 leões para o repovoamento desta espécie animal nos tandos de Marromeu. A operação de translocação por via aérea ocorreu entre os dias 24 e 26 de Junho deste ano. Após um período de quarentena nas referidas coutadas, os primeiros cinco animais foram libertados na coutada da ZDS no dia 5 de Agosto passado para as planícies de Marromeu.

Em cinco voos fretados, no que foi considerada a maior operação de translocação de leões alguma vez realizada em África, os 24 leões foram transportados da África do Sul directamente para Marromeu. Trata-se de 18 fêmeas e seis machos oferecidos por diferentes províncias da África do Sul, entre Parques e Reservas privadas e públicas. Destes 24, 15 animais têm colar-satélite para a sua monitoria.

Todo o complexo de Marromeu fica assim enriquecido com o recebimento destes leões e com as possibilidades de reprodução, facto que foi somente possível ao apoio filantrópico de Mary e Dan Cabela, cidadãos norte-americanos, amigos da natureza e de Moçambique, que assumiram os encargos financeiros da translocação dos 24 leões.

Toda esta complexa operação custou um milhão de dólares norte-americanos e decorreu sem quaisquer encargos para o Estado moçambicano. Os animais passaram a ser pertença da ANAC e sobre eles existe o compromisso voluntário dos operadores de não incluírem estes animais nos safaris de caça, constituindo o projecto uma acção de repovoamento animal, projectado para o futuro do nosso País.

No centro de Moçambique, na Província de Sofala, abrangendo os distritos de Marromeu, Cheringoma e Muanza, está localizado o Complexo de Marromeu, único SÍTIO RAMSAR de terras húmidas com importância mundial no nosso País, abrangendo uma área de um milhão de hectares de planícies de inundação – os famosos Tandos de Marromeu – e matas de miombo. 2

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É ali onde se encontra a Reserva Nacional de Búfalos de Marromeu, bem como as Coutadas oficiais 10, 11, 12 e 14 e para lá que se desloca cerca de um terço dos turistas caçadores que visitam anualmente Moçambique.

CONSERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE

Naquela região, desenvolve-se há 20 anos um notável trabalho de conservação do Meio Ambiente, já reconhecido internacionalmente, numa parceria público e privado com uma importante participação das comunidades.

Para além de preservar o Habitat, o trabalho tem resultado na multiplicação dos efectivos da Fauna Bravia, com destaque para 18 espécies de mamíferos entre as quais o búfalo com um efectivo de 20.000 animais, o elefante, a piva ou inhacoso, o chango, a pala pala, a gondonga, a zebra e o facocero.

Uma contagem da ANAC, em Dezembro de 2016, apontava para um efectivo total de 70 mil animais daquelas 18 espécies no Complexo de Marromeu.

Nos últimos anos o natural equilíbrio da Fauna Bravia foi prejudicada pela acção de caçadores furtivos. Acontece que a correspondente população de carnívoros predadores como o leopardo, a hiena malhada e o leão sofreu um decréscimo que estava a pôr em causa o natural equilíbrio faunístico.

De assinalar que só no ano passado, as patrulhas da empresa ZDS intercetaram 90 caçadores-furtivos na zona da Coutada 11, armados com 140 armadilhas e 3.200 laços.