Beato e Munssossa promovem jogos “castigativos” escolares

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A Direcção Provincial de Educação e Desenvolvimento Humano da Zambézia em coordenação com sua congénere de Juventude e Desportos da mesma província, promoveram semana finda na cidade de Quelimane, a fase provincial dos jogos desportivos escolares, Edição 2018, num ambiente de total desconforto e castigo aos petizes.

O evento que marca o ponto mais alto ao nível da província, do festival de pesquisa, descoberta e promoção dos talentos desportivos por lapidar, aconteceu numa altura em que tanto os jovens talentosos como os professores de educação física que os acompanham neste processo, desempenhando o papel de treinadores dos mesmos, reclamam por falta de condições humanas para a prática do desporto.

A titulo de exemplo, tanto a cerimónia de abertura como a de encerramento do festival, no mítico campo do Ferroviário de Quelimane, os Directores Provinciais de Educação e Desenvolvimento Humano Aldo Munssossa, e da Juventude e Desportos Beato Dias disseram que as condições logísticas e administrativas estavam criadas para que o processo fosse levado a cabo com sucesso, entretanto no terreno, os jovens estavam a dormir em esteiras e sem condições humanas possíveis para o desenvolvimento dos seus organismos que estão ainda em crescimento.

Se no Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, vulgarmente designado por Moçambola, temos assistido treinadores de certos clubes a justificarem derrotas ou empates mal conseguidos pelo facto dos seus jogadores terem realizado uma partida no Domingo, para na 4a feira seguinte estar num outro embate, o que pode se dizer aos jogadores de palmo e meio, que depois de uma noite mal dormida no lar dos estudantes, são obrigados a realizar uma partida ferrenha de futebol as 10 horas, para regressar aos aposentos somente para tomar um almoço constituído por um prato de “xima com peixe carapau cozido” e, sem espaço para realizar a famosa digestão, devem retornar ao campo para outra partida de futebol?

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Ouvi algumas individualidades ligadas a organização do evento, quase todos eles vociferaram no sentido de que está edição foi a pior de todas as edições organizadas nesta província.

As fontes que não aceitaram gravar entrevista, receando represálias por parte dos seus superiores, chegaram a dizer que existem fundos nas instituições, no entanto, as lideranças não disponibilizam os mesmos para o efeito pelo qual o fundo foi alocado.

Questionados sobre os motivos que ditaram a realização de jogos no sistema bi-diário, disseram que as ordens provieram dos seus superiores que decidiram que os jogos deveriam ser realizados dentro de uma semana para evitar o dispêndio de custos de manutenção dos petizes. Ou seja, os Directores provinciais Aldo Munssossa e Beato Dias decidiram que as crianças deveriam jogar duas vezes por dia para voltarem aos seus distritos o mais cedo possível, como forma de evitar que os seus bolsos sejam estourados.

Afinal, o fundo para a realização dos jogos escolares existe ha bastante tempo. Aliás, no ano de pico  da tão propalada crise não houve esse tratamento cruel as crianças. Porque é que só neste ano de Beato e Munssossa, os alunos são submetidos a este tratamento desumano?