“Vendo peixe para colocar pão na mesa” — JOANA MONTEIRO

“Vendo peixe para colocar pão na mesa” — JOANA MONTEIRO

em SOCIEDADE por

Joana Monteiro mora no bairro de Icidua, um dos aglomerados populacionais mais afectados pela pobreza extrema na cidade de Quelimane. Tem apenas 28 anos de idade e é mãe de quatro filhos.

O seu marido, o senhor João, é um pescador de aproximadamente 35 anos de idade e a única fonte de renda para o agregado familiar composto por 6 pessoas reside na venda de peixe seco ao longo da estrada que liga o centro da cidade Quelimane aquela unidade residencial.

Sendo uma actividade difícil, dado o risco que ela apresenta a integridade humana dos seus praticantes pela aproximação das suas mercadorias a via publica, ou seja, os vendedores de peixe praticam a suas actividades a beira da estrada. Dona Joana não vê outra alternativa a sua sobrevivência se não correr o risco e por pão na mesa.

Enquanto perde grande parte do dia vendendo peixe, os filhos, dos quais dois frequentam a escola, ficam em casa a cuidar dos afazeres domésticos, num compasso de espera pela mãe que, se não consegue vender, nunca chega e mais uma refeição e adiada.

Esta e uma situação que Joana Monteiro vive o seu dia-a-dia a tentar evitar. Nalgumas vezes consegue ser bem sucedida e noutras nem por isso. Mas ela nunca se cansa de imprimir mais esforços para o bem da sua família.

Aos microfones do Semanário Txopela, Joana Monteiro revelou ter ido a escola, mas devido as condições menos favoráveis que a sua família se encontrava, teve que interromper muito cedo os seus estudos para dedicar-se a cuidar da nova família que acabava de formar com o senhor João. “Fui a escola, mas porque os meus pais não tinham condições para me manter lá, tive que abandonar os estudos e casei-me quando tinha apenas 16 anos de idade. A partir desta altura, passei a vender o peixe que o meu marido trazia do alto mar, uma vez que ele e pescador” – explica.

Leia:  MUNICÍPIO DE QUELIMANE: Avenida Amílcar Cabral esta sendo asfaltada

O drama de abandono das aulas para começar uma vida adulta antes da idade e um procedimento recorrente no seio das famílias vulneráveis no distrito de Quelimane, a centro de Moçambique. Muitas são as raparigas que se vem obrigadas a abandonar os estudos para assumir responsabilidades maternais.

Esforços tem vindo a ser empreendidos pelas autoridades e não só, no sentido de colmatar o fenómeno no pais, mas o caso da Joana Monteiro traz a tona, a necessidade de uma reflexão mais profunda por todas as forcas vivas da sociedade, sobre o impacto das nossas acções no melhoramento das condições de vida das nossas comunidades e o futuro que pretendemos para as elas.

Deixe a sua opinião

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.