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População da Madal condenada ao desprezo

População da Madal condenada ao desprezo

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A ponte sobre o rio Chipaca, que liga o posto administrativo da Madal ao resto do distrito de Quelimane desabou há cerca de três anos, interditando a circulação de pessoas e bens naquele troco rodoviário, mas à reposição da infraestrutura ainda continua uma miragem.

Na altura do seu desabamento, as autoridades governamentais quer do nível do Conselho Municipal da Cidade de Quelimane, quer do Governo do Distrito, diziam estar empenhadas a encetar contactos junto dos seus parceiros no sentido de intervencionar na infraestrutura o mais brevemente possível. Volvidos três anos, não se fala mais daquela infraestrutura de grande importância para a vida social e económica do distrito de Quelimane, dado que a mesma liga o centro da cidade de Quelimane a um dos três postos administrativos que constituem o distrito.

Está situação não parece ter alguma solução a vista uma vez que, as duas administrações limitam-se a atribuir responsabilidades uma a outra, no lugar de procurar solucionar o problema.

Ao Jornal Txopela, os utentes daquela via, que agora são obrigados a arriscar as suas vidas, atravessando o rio a bordo de pequenas embarcações disponibilizadas por singulares para o transporte de pessoas e bens, mostraram a sua indignação perante a inoperância das autoridades.

Lindo Mário, um comerciante informal residente na localidade de Madal, afirma ter perdido a sua mercadoria por três vezes em naufrágios no rio Chipaca ”Eu já perdi perto de 100 mil meticais em mercadorias diversas neste rio. Por muito pouco não perdi a minha vida, mas já assisti muitas pessoas minhas conhecidas perderem as vidas neste local. Esta situação torna-se mais preocupante quando o Governo diz que não tem dinheiro para repor a ponte danificada, mas nos outros rios existe intervenção pontual. Até parece que não pertencemos ao mesmo distrito” – lamentou.

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Para Chobi Lacerda, estudante da Escola Secundaria da Madal, residente na cidade de Quelimane, atravessar o rio Chipaca de Segunda à Sexta-feira, representa um perigo eminente para a sua vida, tal como deplora: “Ando assustado todo o tempo, saio de casa todos os dias para escola mas não sei se voltarei a salvo. Esta situação já está a ter repercussões no meu aproveitamento pedagógico. Peço a quem é de direito para que faça algo que nos livre deste castigo”.

Recorde-se que, aquando do desabamento da ponte em alusão, muitas foram as vozes de dirigentes que se pronunciaram, lamentando o facto e prometendo tudo fazer aos seus alcances para ver o problema resolvido de forma célere. Afinal, eram apenas falacias e o povo da Madal ficou literalmente condenado ao esquecimento.

Desde o seu desabamento em 2015 até então, vários naufrágios foram registados, ceifando dezenas de vidas humanas.

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