Não se pode democratizar as instituições ignorando a mente de quem as dirige

Não se pode democratizar as instituições ignorando a mente de quem as dirige

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Por: Lúnede Parrote

geral@jornaltxopela.com

Hoje virou moda falar de Democracia, até os que combateram, caçaram e torturam os que ousaram pensar num Moçambique Democrático. Se em 1962 alguns moçambicanos uniram-se pela independência, em 1975, alguns moçambicanos uniram-se pela democracia, o que culminou com a assinatura dos Acordos Geral de Paz em 1992 e a adopção da Democracia como forma de governação.

Desde lá, a palavra Democracia entrou para o vocabulário dos moçambicanos. Idos já quase mais de 20 anos, os moçambicanos travaram batalhas árduas para democratizar as instituições do Estado, uma batalha que muitas é dificultada pelo governante, que movido por cores partidárias, acaba colocando em causa uma nação inteira. Perceba-se aqui governante como qualquer funcionário público que assume cargos de direcção, que dirige uma instituição pública

Infelizmente a origem do nosso Estado, não se adequa nem a moda de Platão e Aristóteles, muito menos a de Hobbes e Locke. Tenho impressão que os fundadores da nação moçambicana, inspiraram-se no pensamento politico de Santo Agostinho, no qual a autoridade politica é entendida como uma dádiva divina, e assim sendo, os  governados (funcionários públicos) devem obedecer aos governantes (pensar igual) e não é da sua competência ( funcionários públicos), fazer juízo da sua governação .

Não se pode pensar diferente quando se é agente ou funcionário do Estado, ou pensas igual, ou finges pensar igual e constas na lista dos bons filhos, ou te arriscas a ser o mau filho, o ingrato, ou seja, te tornas o “não nosso”.

As instituições por si só, são entidades mortas, ganham vida com os funcionários que para são afectos, e os funcionários por sua vez, subordinam-se directamente ao governante. Não se pode avançar com o projecto de democratização das instituições, sem democratizar a mente de quem as dirige. Nem sempre é por mérito que se torna governante, muito menos por via de sufrágio ou concurso público. Os cargos de chefia são todos por confiança, a filiação partidária fala mais alto em detrimento do mérito, do profissionalismo, quando a temática é dirigir. Ser funcionário do Estado, significa ser tratado como membro do partido x ou h, e não como um profissional. É mais fácil para o governante achar quem pensa diferente, que a solução para os problemas que assolam a sua instituição, é mais fácil combater os que pensam diferente, que combater os maus funcionários, é mais fácil aplicar a lei para quem pensa diferente, que para quem as infringe. A Democracia é um assunto sério, tão sério que levou 16 anos para pudermos conquista-lá, não se pode viver democraticamente sem o pensar diferente, sem aceitarmos conviver com quem pensa diferente. No final do dia, somos todos moçambicanos, somos todos irmãos, só unidos na diversidade o país avança. Os Homens vão, mas as instituições ficam, precisamos deixar o nosso legado e construir uma nação democrática e prospera para as gerações  vindouros e isso só possível democratizando a mente de quem dirige as instituições pública, que são um património do povo e não dos partidos políticos.

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