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Araújo de cócoras

MDM abandona sessão por desentendimento nos pontos de agenda: Araújo de cócoras

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“Estes problemas surgem porque o Presidente do Município não vive cá em Quelimane. Ele vive fora da cidade durante muito tempo a tratar de negócios particulares e quando volta quer impor porque pretende se destacar, isso é uma brincadeira”. — Rijone Bombino, Chefe da bancada da Frelimo na Assembleia Municipal de Quelimane

“Eu sou Presidente da Assembleia Municipal da Cidade de Quelimane, este é um órgão democrático a funcionar num País democrático, portanto, eu não posso atropelar a constituição e os demais instrumentos que regulam o processo democrático em vigor no país para satisfazer vontades políticas” — Domingos de Albuquerque, Presidente da Assembleia Municipal de Quelimane.

Membros do Movimento Democrático de Moçambique — MDM na Assembleia Municipal de Quelimane, boicotaram na manhã desta terça-feira, a 3a Sessão daquele órgão deliberativo.

O acto deveu-se a desentendimentos na aprovação da agenda das actividades da sessão em alusão, onde os membros da bancada do MDM, por sinal, a bancada maioritária, pretendiam que à mesa da Assembleia incluísse na agenda, o ponto referente a aprovação da atribuição do nome do já falecido Doutor Mahamudo Amurane, Presidente do Conselho Municipal de Nampula, a biblioteca municipal do posto administrativo número 3.

O Presidente do Conselho Municipal, Manuel de Araújo fez tudo ao seu alcance para convencer a mesa da Assembleia a incluir na agenda dos trabalhos da 3a sessão, o ponto referente a atribuição do nome de Amurane aquela biblioteca, no entanto, o Presidente da Assembleia Municipal não se deixou cair nas investidas daquele dirigente.

De Araújo, chegou a proferir palavras injuriosas ao Presidente da Assembleia Municipal, chegando mesmo a chama-lo de tirano: “Colegas, no princípio desta sessão, entoamos o hino nacional, e num dos trechos deste, nós cantamos aqui que nenhum tirano nos irá escravizar, por isso, senhor Presidente, a melhor forma de fazer democracia neste momento em que estamos a discordar seria a submissão desse assunto a votação” – palavras de Manuel de Araújo.

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Estando o Presidente da Assembleia Municipal de Quelimane irredutível perante a pressão da bancada maioritária, por sinal, a bancada do seu partido, nada mais restava ao chefe da bancada do MDM se não convidar os seus colegas a abandonar a sala.

Convidado a se pronunciar sobre o seu posicionamento considerado rude pelos membros do partido MDM, partido do qual ele é membro, Domingos de Albuquerque respondeu nos seguintes moldes: “Eu sou Presidente da Assembleia Municipal da Cidade de Quelimane, este é um órgão democrático a funcionar num país democrático, portanto, eu não posso atropelar a constituição e os demais instrumentos que regulam o processo democrático em vigor no país para satisfazer vontades políticas”.

De Albuquerque foi mais longe ao dizer que o processo democrático pressupõe que ao ser submetida a proposta de atribuição do nome de Amurane a biblioteca, uma comissão deve se deslocar ao terreno para fazer auscultação dos populares sobre a pertinência desta proposta, “recebemos à proposta e submetemos a comissão para aferir junto da população se ela (a proposta) e de consenso popular. Entretanto, ainda não recebemos o relatório desta comissão, pelo que não podemos debater um assunto que ainda não recebemos o relatório da comissão ainda”.

Num outro desenvolvimento, Domingos de Albuquerque afirma ter recebido um relatório de auscultação popular, mas atesta que o mesmo peca pelo facto de os signatários serem todos membros de um partido: “Recebi aqui um papel que eles chamaram de relatório de auscultação, mas eu não considero isso um relatório viável dado que os três membros que assinam o relatório são provenientes do partido MDM. Mas não é assim como as coisas devem funcionar, as comissões devem ser mistas, não podem existir comissões constituídas por membros do mesmo partido sob pena de termos conclusões viciadas” – palavras de Albuquerque.

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Para o chefe da bancada da FRELIMO, Rijone Bombino, a decisão tomada pelo Presidente da Assembleia municipal foi bastante positiva visto que, segundo as suas próprias palavras, nada justifica a atribuição do nome de uma individualidade enquanto o processo jurídico com vista o esclarecimento dos contornos que ditaram a sua morte ainda estão em andamento: “…o caso Amurane ainda está em andamento. Aliás ele foi presidente do município de Nampula, seria lá onde ele deveria merecer essa homenagem, mas nós estamos precipitados em fazer o papel de bons samaritanos”. Vociferou Rijone para depois acrescentar: “Estes problemas surgem porque o Presidente do Município não vive cá em Quelimane. Ele vive fora da cidade durante muito tempo a tratar de negócios particulares e quando volta quer impor porque pretende se destacar, isso é uma brincadeira”.

Verdade ou não, mas o certo é que as coisas não parecem estar a andar nos carris normais dentro do partido MDM ao nível da cidade de Quelimane, pelo que, o problema assistido nesta terça-feira revela falta de comunicação entre o Presidente do Conselho Municipal e o Presidente da Assembleia Municipal.

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