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Dona Lúcia, a história de uma viúva que venceu à miserável vida

Dona Lúcia: A história de uma viúva que venceu à miserável vida

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Foi a 23 de Agosto de 2007 que dona Lúcia Victor recebeu a triste notícia do desaparecimento físico do seu esposo. Sendo uma senhora que vinha de fora da cidade em busca de melhores condições de vida, concretamente do distrito de Morrumbala, senhor Cândido, um homem que à conheceu e acolheu como esposa, era para ela, a única esperança de sobrevivência na cidade de Quelimane.

Depois do sucedido, dona Lúcia via-se como um barco a deriva a meio do oceano, sem rumo e sob alta pressão de uma tempestade devastadora. Com três filhos menores para criar e um bolso esburacado, teve que se desfazer dos sentimentos e começar a correr atrás do prejuízo criado pela perda. O marido falecido era desempregado e conseguia manter a sustentabilidade da família a partir de pequenos negócios no mercado da Floresta, vulgarmente conhecido por Mercado do Lixo.

Dona Lúcia começou por procurar emprego domestico. Vagueou de casa em casa em busca de alguém que a pudesse aliviar da agonia. Conseguiu um trabalho, mas não foi de muita dura porque a patroa não gostava da forma como o seu marido a tratava, tratava-a como se ela fosse alguém da família, e isso não agradava a senhora.

Teve que sair. E agora? A sua busca pelo garante das necessidades primárias da sua família não podia terminar por ai. Correu atrás, procurou por tudo e por todos, revirou as esquinas da cidade de Quelimane, mas nada obteve. Foi dai que alguém apareceu e convidou-a para acompanha-la nas suas jornadas de venda no mercado central de Quelimane.

No princípio, a dona Lúcia cabia ajudar a sua amiga a atender aos seus clientes e no final do dia ganhava alguns trocados que serviam para comprar peixe seco e farinha de milho para amainar a fome que ofuscava os petizes em casa. Alguns dias mais tarde, a sua amiga ‘Samaritana’ decide conversar com um dos fornecedores de cebola para ver se ajudava a sua amiga, dando-lhe um saco de 100 quilogramas. Comovido com a triste história dela, homem não se recusou e cedeu o produto. Dona Lúcia vendeu a cebola e no final do dia já havia conseguido duplicar o valor do custo de um saco. Entregou ao proprietário o valor que correspondia ao seu saco e ficou com a outra metade, regressou para casa e orou agradecendo a Deus pela ajuda.

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No dia seguinte, dona Lúcia já tinha o seu próprio negócio. Vendeu cebola incansavelmente porque não havia outra alternativa a sobrevivência da sua família.

Hoje, dona Lúcia é uma das comerciantes mais destacadas do mercado central da cidade de Quelimane, possui seu próprio armazém e é uma das fornecedoras à grosso de cebola proveniente da África do Sul e de Moçambique nomeadamente Gurué e Gorongosa. Tem uma família feliz, todos os filhos frequentam a escola e possui uma residência construída a base de material convencional, com espaço suficiente para sua família e mais. Partilhou a sua história de vida com o Jornal Txopela está semana para incentivar aos jovens principalmente para que façam escolhas acertadas e nunca desistam de lutar.

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