LIBERDADE & INDEPENDÊNCIA

Contornos do fenómeno chupa-sangue na Zambézia (1)

em OPINIÃO por

Por: Jeremias Messias

Jeremias.messias19@gmail.com

“ O Homem procura drama e excitamento,  quando não consegue se satisfazer ao alto nível, ele cria para ele mesmo o drama de auto-destruição”. (Erich Fromm, 1973).

Quando eclode o surto de “chupa-sangue”, a utopia de colaboração tem falhado e o recurso a violência tem sido uma variável constante.

Com uma necessidade patológica de causar uma boa impressão Hidayat Kassim[1] disse que:  Estamos perante  uma campanha de desinformação porque dizem que  há um espírito que chupa o sangue durante a noite. Já estamos a trabalhar com os líderes comunitários, porque isso não existe.

O “chupa sangue” se perpétua de geração em geração, desde 1975, periodicamente tem eclodido o “surto” provocando um histeria colectiva.

Essa busca é o desafivelar da consciência popular sobre o mito de chupa-sangue. É preciso saber que cada século, cada país, cada comunidade, possui seus preconceitos, suas doenças, suas modas, suas inclinações que o caracterizam, e que passam e sucedem uns aos outros, e frequentemente aquilo que pareceu admirável numa época torna-se lamentável e ridículo noutra.

(Meneses , 2003) disse que o poder “oculto” dos rumores, neste caso de “chupa sangue” podem estar associados à fragilidade física, ao risco, uma dimensão essencial da política contemporânea. Este fenómeno, que remota do tempo colonial, surge esporadicamente em alguns distritos do país, tendo no passado

motivado homicídios, destruição de propriedades e detenções. (Boaventura Bosco, 2017)  considera que o fenómeno “chupa-sangue” é um assunto profundo, que resume o recrudescimento da ruptura do tecido social, associado a crises e desigualdades económicas. “O mito é de certa forma resultado da insatisfação e pobreza. Falta de seriedade das autoridades na resolução das rachas sociais”, é perigoso que se enraíze e se alastre, o mito pode atrair as camadas mais jovens.

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Se o fenómeno existe ou não, se é um sujeito factual ou não, tudo perpassa por uma ecologia de comunicação orientada em respeito pelos direitos de liberdade  de opinião, porque sempre que eclode o surto de chupa-sangue o recurso a violência é uma constante, e a máquina repreensiva consegue satisfazer os seus baixos intentos.

Bibliografia:

Jornal Savana (27-10-2017)

MENESES, Maria Paula, “Agentes do Conhecimento? a consultoria e a produção do

conhecimento em Moçambique”, in B. S. Santos (ed.), Conhecimento Prudente para uma Vida

Decente: “Um discurso sobre as Ciências” revisitado. Porto: Afrontamento, 2003.

http://lust-for-life.org/Lust-For-life/_Textual/ErichFromm_TheAnatomyOfHumanDestructiveness_1973_534pp/ErichFromm_TheAnatomyOfHumanDestructiveness_1973_534pp.pdf. acedido aos 13.07.2018

[1]  http://pt.rfi.fr/mocambique/20171020-2-mortos-em-manifestacoes-contra-vampiros-em-mocambique (20/11/2017)

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