LIBERDADE & INDEPENDÊNCIA

A nova arquitectura dos ataques em Cabo Delgado demonstra que as FDS podem vencer o desafio

A nova arquitectura dos ataques em Cabo Delgado demonstra que FDS podem vencer o desafio

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Quando no dia 5 de Outubro de 2017, os munícipes da vila de Mocimboa da Praia, província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, acordavam para um dia incomum, marcado por ataques perpetrados por homens desconhecidos empunhando catanas e armas, tendo provocado a morte de 28 pessoas, dos quais, oito membros da polícia, um líder comunitário e 19 insurgentes, tratou-se de atribuir o incidente a grupos com inspiração islâmica que pretendiam implementar no país, o direito islâmico, conhecido por xaria.

Depois de desafiar o poder com ataques a posições de polícia e a liderança comunitária, no dia 29 de Novembro, também do ano passado, viriam a mudar de estratégia, passando a atacar aldeias e por via disso, vandalizando casas, estabelecimentos comerciais e igrejas.

As autoridades identificaram e detiveram 50 cidadãos acusados de pertencer ao grupo e daí intensificou-se o processo investigativo que chegou a culminar com uma declaração pública da polícia da república de Moçambique de que a situação estava controlada. Entretanto, depois desta declaração, seguiram-se a sucessivos ataques que estão a provocar deslocações das populações das suas zonas habitacionais para outras, a procura de segurança.

Congregações religiosa de todo país tem estado a distanciar-se destes actos e instam as autoridades a tratarem os seus autores como criminosos e não muçulmanos porque, segundo argumentam, o islão significa paz e é pela paz e uma convivência harmoniosa entre os homens.

Os autores destes ataques são naturais da província de Cabo Delgado e boa parte deles já estão a ser identificados pelas forças de defesa e segurança que no terreno estão para garantir a segurança de pessoas e bens.

Aliás, soubemos em Mocimboa da Praia que os pais de alguns jovens que aderiram ao grupo de malfeitores, designado pela população de Cabo Delgado por Al Shabab já aproximaram as autoridades para prestarem o seu apoio com vista a localização dos seus filhos que fugiram das suas aldeias para ficarem no mato. Os pais têm estado a colaborar com as autoridades fornecendo todos os detalhes informativos necessários com vista a localização de mais membros deste grupo desconhecido.

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Contrariamente ao momento inicial em que este grupo desafiava as estruturas do poder, agora o grupo opta por ataques a aldeias, afectando cidadãos indefesos e desprotegidos. Os residentes do norte de Cabo Delgado acreditam que a avaliar pelas mortes até então existentes (apenas de jovens e nunca idosos, crianças e mulheres) pode ser que estejam a atacar casas de pessoas que eles queiram que juntem-se ao grupo, mas que rejeitam.

Um outro aspecto é que nos ataque havidos este ano, conforme relevou um cidadão em Palma, foram afectadas “aldeias em que não tem tropa” o que leva a querer que quando as forças de defesa e segurança chegam a um local, tratam de controlar a situação.

Se antes desafiavam o poder e agora procuram por populações indefesas pode significar que a posição da PRM de que a situação estava a ficar controlada faz sentido, visto que agora, este grupo, uma vez fragilizado já não tem a mesma ousadia de desafiar frente a frente as forças de defesa e segurança, pelo que optam por atacar aldeias desprotegidas.

Em muitas aldeias de Moçambique a presença policial não passa das sedes das localidades o que faz com que muitos povoados continuem desprotegidos, estando expostos a vulnerabilidade de grupos criminosos desconhecidos. Apesar do grupo continuar a semear terror, as autoridades moçambicanas estão a demonstrar no terreno, capacidade de controlar a situação que se mostra bastante complexa.

Refira-se que a província de Cabo Delgado tem sido palco de conflitualidades desde a era dos descobrimentos, tendo colocado frente a frente, os portugueses que pretendiam explorar a região e os árabes que já desenvolviam trocas comerciais com as populações locais. Em 1814 e 1815 uma parte do território do distrito de Palma já esteve em debate entre Portugal e Alemanha na conferência de Berlim devido as riquezas da bacia do Rovuma.

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As questões político-económicas entram em diálogo com questões religiosas tornando o território um espaço de progresso de relações de conflitualidade. A título de exemplo está a manifestação de 1980 em Mocímboa da Praia quando as danças muçulmanas foram proibidas pelas autoridades moçambicanas.

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