Eu creio na desobediência!

Eu creio na desobediência!

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 Apoiando-me em Fromm, o homem nasce quando é arrancado à união originária com a natureza que caracteriza a existência animal. Todavia, quando esse evento se materializa, o homem permanece só. O homem se afasta do mundo físico e social, ou seja, o homem se torna livre e responsável por seus próprios actos, por sua própria opção e por seus próprios pensamentos, porém, nem sempre consegue aceitar o peso da liberdade, e como consequência, cede ao “conformismo gregário”, obedecendo cegamente as normas estabelecidas e agregando-se a um grupo e considerando como inimigos os outros homens e os outros grupos. Coisa feia!

 De acordo com Fromm, uma pessoa se torna livre e cresce por meio de actos de desobediência. A capacidade de desobedecer, portanto, é a condição da liberdade, que representa a capacidade de desobedecer: se tenho medo da liberdade, não posso ousar dizer não, não posso ter coragem de ser desobediente. Com efeito, a liberdade e capacidade de desobedecer são inseparáveis. Pois, são eles que estão na base do nascimento e do crescimento do homem enquanto tal. Pois bem, no mundo em que vivemos, a capacidade de duvidar, de contribuir com ideias positivas, de criticar e de desobedecer pode ser um caminho meio andado para construir o futuro brilhante da humanidade e o fim das ditaduras.

 Durante séculos reis, sacerdotes, senhores feudais proclamaram que a obediência é virtude e a desobediência é vício, mas essa posição Fromm contrapõe alegando que a história do homem começou por um acto de desobediência. Aliás, Adão e Eva estavam dentro da natureza assim como o feto está dentro do útero da mãe. Todavia, seu acto de desobediência rompeu o laço original com a natureza e os tornou indivíduos. O pecado original ao invés de corromper o homem, tornou-o livre, então este foi o início da sua própria história.

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Portanto, o homem deve abandonar o paraíso terrestre para a prender a depender as suas próprias forças e torna-se plenamente humano. O homem desenvolve mediante o acto de desobediência, o homem tem a obrigação de dizer não aos poderes vigentes, em nome de sua própria consciência ou de sua própria fé. A demais, o seu desenvolvimento intelectual depende da capacidade de desobedecer às autoridades que tentam reprimir novas ideias e à autoridades de crenças existentes há longo tempo, segundo as quais toda mudança é desprovida de sentido.

Autor: Rabim Saize Chiria

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